Banca & Finanças "Swaps" de empresas públicas melhoram mas continuam a representar perdas potenciais

"Swaps" de empresas públicas melhoram mas continuam a representar perdas potenciais

A Carris, Metro e outras empresas têm 35 instrumentos de gestão de risco com um valor de mercado negativo de 394,8 milhões, melhor que em Março. Mas há mais nove "swaps", do Totta, que podem causar perdas maiores ao Estado.
"Swaps" de empresas públicas melhoram mas continuam a representar perdas potenciais
Diogo Cavaleiro 30 de novembro de 2015 às 20:40

Os instrumentos de gestão do risco financeiro (designados de "swaps") contratados por empresas públicas portuguesas continuam a representar perdas potenciais para o Estado. Contudo, o valor de mercado destes produtos, que servem para proteger financiamentos de variações de taxas de juro e de câmbio, era menos negativo em Junho do que em Março deste ano.

 

"A 30 de Junho de 2015, existiram 35 instrumentos de gestão do risco financeiro nas carteiras de nove empresas públicas, repartidas por três sectores de empresas, com um valor contratual agregado de 1.659,6 milhões de euros e um valor de mercado negativo próximo de 394,8 milhões de euros", indica o relatório divulgado pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Sector Público Empresarial (UTAM).

 

Ou seja, caso fossem cancelados em Junho, estes produtos causariam perdas na ordem dos 394,8 milhões de euros ao Estado. Em Março, o valor de mercado destes produtos, nas mãos de empresas como a Carris, CP, as empresas de metropolitano e a TAP, era de 636 milhões de euros negativos.

 

A melhoria positiva decorreu "principalmente" do aumento do valor das taxas "swap" de euro, que recuperaram do mínimo histórico registado em Abril, indica o relatório da UTAM. Os "swaps" do Metro de Lisboa, da Parpública e da TAP contribuíram para que a perda potencial seja, agora, mais baixa, segundo o documento. 

 

Os "swaps" são produtos financeiros subscritos para proteger quem contrata determinados financiamentos de variações de taxas variações como a de juro e a de câmbio.

 
"Swaps" do Totta sobem perdas potenciais para 1,6 mil milhões


No final de 2012, estes produtos financeiros poderiam ter significado perdas totais superiores a 3 mil milhões de euros. O Governo optou por renegociar a reestruturação destes instrumentos – considerou muitos deles especulativos e complexos – mas um banco não aceitou: o Santander Totta. O banco colocou as empresas públicas em tribunal para validar os produtos que tinha vendido. A sentença estará para breve – está-se ainda à espera das alegações finais, segundo noticiou o Diário Económico.

 

Este conjunto de 35 "swaps" com valor negativo de 394,8 milhões de euros não inclui os nove instrumentos do Totta, "que estão a ter a sua validade discutida nos tribunais ingleses, em processos propostos pelo banco". Não é avançado o valor destes instrumentos. O relatório e contas do banco dirigido por António Vieira Monteiro apontava para que estes títulos tinham um valor de mercado negativo de 1,22 mil milhões de euros em Junho (uma melhoria face aos 1,32 mil milhões registados em Dezembro).

 

Ou seja, somando os valores de mercado dos nove "swaps" do Totta (-1,22 mil milhões de euros) aos dos instrumentos divulgados pela UTAM (-394,8 milhões) chega-se a 1,6 mil milhões de euros. Este será o valor de mercado dos "swaps" contratados por empresas públicas à data de Junho de 2015.

 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI