Banca & Finanças Taxas negativas arrastam resultados dos bancos europeus  

Taxas negativas arrastam resultados dos bancos europeus  

Saiba o que esperar dos resultados de 11 dos maiores bancos europeus. As expectativas não são as melhores e a culpa é, em grande parte, das taxas negativas do Banco Central Europeu.
Taxas negativas arrastam resultados dos bancos europeus   
Reuters
Negócios com Bloomberg 22 de julho de 2019 às 13:11

Os resultados dos bancos europeus no segundo trimestre vão mostrar de forma mais vincada como a política monetária do Banco Central Europeu está a penalizar as contas do setor, já que as taxas negativas dos depósitos estão a esmagar as margens das instituições financeiras.

 

De acordo com a Bloomberg, as receitas dos oito maiores bancos europeus deverão baixar em média 2,7% no segundo trimestre, contra o mesmo período do ano passado. Esta estimativa tem por base as previsões de analistas e os números já conhecidos do Deutsche Bank.

 

Só o espanhol Santander (que tem forte presença na América Latina) escapa à tendência negativa. A evolução prevista para os bancos europeus contrasta com o aumento registado nos bancos norte-americanos (+0,5%), que nos últimos trimestres têm conseguido obter resultados recorde devido às subidas de juros por parte da Reserva Federal.

 

Os juros nos EUA subiram por sete vezes desde 2015 e só agora o banco central está a equacionar baixar a taxa de referência. Na Europa o BCE sinalizou mais medidas de estímulo e os economistas esperam uma queda na taxa dos depósitos para -0,5% este ano (contra -0,4% atualmente).        

   

"O foco dos bancos europeus está nas receitas", diz Jonathan Tyce, analista da Bloomberg Intelligence. "As taxas vão baixar, o que significa menos provisões para crédito malparado, mas tal não compensa a redução das receitas", pelo que os bancos têm de focar-se "na contenção de custos".

 

A Bloomberg fez um guia para o que esperar dos resultados dos bancos no segundo trimestre, país a país:

 

UBS (23 de julho) – O banco suíço é dos primeiros a apresentar resultados na Europa e o CEO já fez saber que na unidade de trading se registou uma recuperação do que foi um dos piores primeiros trimestres de sempre. Ainda assim as receitas terão descido mais de 4% e os investidores vão focar-se na capacidade do UBS continuar a aumentar a captação de dinheiro na unidade de gestão de fortunas, num contexto de crescentes incertezas na economia global.

 

Credit Suisse (31 de julho) – O primeiro trimestre foi forte para o segundo maior banco suíço, indicando que a reestruturação implementada durante três anos pelo CEO Tidjane Thiam começou a dar frutos. Os investidores vão focar atenções na capacidade do Credit Suisse manter o ritmo de crescimento e mostrar que o bom desempenho na unidade de gestão de ativos não foi um evento extraordinário.

 

Deutsche Bank (24 de julho) – O banco alemão revelou um profundo plano de reestruturação, que entre outras medidas passa pelo abandono do negócio de trading de ações, devido sobretudo ao atual ambiente de reduzidas taxas de juro. O Deutsche Bank já revelou que as receitas desceram 5,9% no segundo trimestre e que os lucros e os custos ficaram abaixo do que os analistas estavam à espera. O plano de reestruturação terá um custo de 3 mil milhões de euros no segundo trimestre.

 

Commerzbank (7 de Agosto) – O segundo maior banco alemão é um dos mais penalizados pela política monetária do BCE, uma vez que tem uma forte base de depósitos. Após o falhanço da fusão com o Deutsche Bank e revisão em baixa de várias metas de resultados, o Commerzbank deverá anunciar o seu novo plano estratégico no outono. O banco alemão é visto como um dos principais candidatos a integrar movimentos de consolidação na banca europeia, devida à forte presença na maior economia europeia. As taxas negativas devem acelerar este movimento, mas a falta de confiança no setor financeiro é agora o maior travão para operações transfronteiriças, refere Casper von Koskull, CEO do Nordea Bank.

 

BNP Paribas (31 de julho) – O banco francês deverá ser um dos principais beneficiados com os problemas do Deutsche Bank, tendo já assumido alguns negócios do banco alemão. Os investidores vão estar atentos aos números da unidade de trading, para perceberem se está mesmo a recuperar dos prejuízos "embaraçosos" que registou em 2018. Os analistas do JPMorgan estimam que as receitas na unidade de corretagem tenham descido 26%.

 

Société Générale (1 de agosto) – Com o objetivo de melhorar a rentabilidade, o banco francês está a reduzir atividade na banca de investimento, cortando 1.600 empregos em todo o mundo. Os investidores vão focar atenções nas almofadas de capital do Société Générale, já que os rácios do banco francês têm sido dos mais fracos da banca europeia. Os analistas defendem que o banco deveria cortar nos dividendos para reforçar o capital, mas o CEO Frederic Oudea diz que está confortável com as metas do banco e a política de remuneração aos acionistas.

 

Natixis (1 de agosto) – O banco francês tem enfrentado vários problemas. No primeiro trimestre sofreu perdas na unidade de derivados e uma forte quebra na divisão de títulos de dívida. Já no segundo trimestre a gestora de ativos que controla em Londres, a H20, sofreu um forte volume de resgates. Por isso os investidores vão focar atenções na capacidade do banco em conter a perdas nesta área de negócio.

 

Unicredit (7 de Agosto) – Os bancos italianos têm conseguido beneficiar com as taxas negativas, uma vez estão a baixar os custos de financiamento e continuam com um elevado volume de crédito malparado. O Unicredit tem adotado medidas para fortalecer a sua posição financeira e depois de três anos a limpar o balanço, o CEO Jean Pierre Mustier está a preparar um plano de crescimento. O banco é visto com potencial para integrar um movimento de consolidação e poderá estar interessado na aquisição do Commerzbank. As notícias relacionadas com este tema e com o plano estratégico serão o foco da apresentação de resultados.

 

Barclays (1 de agosto) – No primeiro trimestre o Barclays conseguiu superar os rivais norte-americanos, mas no segundo trimestre as perspetivas são mais sombrias. Os analistas do JPMorgan estimam uma queda de 22% nas receitas da unidade de corretagem e esperam "implicações negativas" do momento negativo da economia norte-americana e do impacto do Brexit. As indemnizações aos clientes devido à venda de seguros no crédito à habitação deverão continuar a penalizar as contas.

 

HSBC (5 de agosto) – Os investidores vão estar atentos à capacidade do maior banco europeu manter o crescimento das receitas a um ritmo superior ao dos custos. O HSBC continua a reduzir atividade e cortar postos de trabalho na unidade de mercados e banca global e o desempenho na divisão de trading não tem sido favorável. Os investidores esperam por sinais de melhoria da remuneração aos acionistas, através de recompra de ações.

 

Santander (23 de julho) – O banco espanhol é o menos dependente do mercado doméstico, devido à forte presença na América Latina. Ainda assim a atividade na Europa é grande o suficiente para pressionar os resultados e será o foco nos investidores, nomeadamente nos cortes de custos. A unidade no Reino Unido parece a mais vulnerável, com os analistas do KBW a anteciparem uma descida de 36% nos lucros.

 

Os resultados em queda colocam o foco nos rácios de capital, sendo que a presidente do Conselho de Administração, Ana Botin, já revelou que o Santander não necessita de almofadas de capital tão elevadas devido à presença mais diminuta na banca de investimento.




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