Banca & Finanças Tomás Correia defende que decisões tomadas no Montepio foram colegiais

Tomás Correia defende que decisões tomadas no Montepio foram colegiais

O actual presidente do Montepio continua a manter tabu sobre a sua posição nas eleições de Dezembro. Diz aos adversários que "é muito fácil criticar", mas é "difícil" fazer. Tomás Correia diz também, ao Dinheiro Vivo, que as decisões no Montepio foram tomadas em conjunto com a administração.
Tomás Correia defende que decisões tomadas no Montepio foram colegiais
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 08 de outubro de 2018 às 09:28

António Tomás Correia defendeu esta semana, em entrevista ao Dinheiro Vivo, que as decisões que foram tomadas no Montepio foram tomadas "colegialmente" pelo conselho de administração.

 

"Nos momentos passados que se afiguraram mais difíceis, as decisões tomadas colegialmente pelo órgão de administração, e com o competente suporte do seu conselho geral, é que permitem agora olhar para o futuro com mais confiança", declarou o presidente da Montepio Geral – Associação Mutualista.

 

As respostas foram dadas ao Dinheiro Vivo por ocasião da comemoração dos 178 anos da maior associação mutualista do país, mas num período em que já decorre o mês para a apresentação de candidaturas para a presidência do Montepio. Uma delas é de Fernando Ribeiro Mendes, colega de administração de Tomás Correia que com ele se incompatibilizou.

 

Ribeiro Mendes apresentou a sua candidatura ao Montepio na semana passada, num evento em Lisboa em que também esteve Miguel Coelho, outro administrador da mutualista. Ambos estiveram contra (ou abstiveram-se) em momentos da vida da associação, como a injecção de 250 milhões de euros na caixa económica do grupo (para responder a uma determinação do Banco de Portugal) em que Miguel Coelho votou contra e Ribeiro Mendes se absteve.

 

"O futuro constrói-se nas bases das decisões do presente, e na determinação com que essas decisões são tomadas", diz Tomás Correia na entrevista. Decisões que o actual presidente partilha com o órgão de administração que lidera e com o conselho geral, onde estão representadas várias tendências do Montepio. 

 

Ainda não há resposta do presidente que ocupa o cargo desde 2008 sobre uma eventual recandidatura. Já revelou que poderá também apoiar uma lista que siga as suas ideias.

 

Em relação aos concorrentes às eleições, que se realizam a 7 de Dezembro, Tomás Correia comentou que é "muito fácil criticar". "Muito mais difícil é fazer e ter competências para tomar as decisões certas no momento adequado", continuou, insistindo que o sufrágio vai exigir um "escrutínio sobre a qualidade dos candidatos, das suas propostas, e da capacidade para as concretizar, com responsabilidade, seriedade e determinação".

 

De momento, parece difícil o cenário de apenas uma lista de oposição à tendência apoiada (ou protagonizada) por Tomás Correia. Era essa a ideia das várias forças que se candidataram contra o actual presidente, mas os nomes ligados ao PCP, por agora, não chegaram a acordo com a candidatura de Ribeiro Mendes.

 

Mutualista "apta para cooperar" com regulador

 

Havendo uma lista única ou não, uma coisa parece certa: a entrada em vigor, em Setembro passado, do novo Código das Associações Mutualistas vai trazer mudanças. Até Setembro de 2019, terá de haver alterações de estatutos. E em breve a supervisão do Montepio vai recair sob a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), faltando apenas a confirmação das autoridades competentes.

 

"Nos tempos mais próximos, a associação mutualista Montepio estabelecerá um calendário de adaptação ao novo enquadramento de supervisão previsto no Código Mutualista, estando a associação mutualista Montepio apta para cooperar com as autoridades, de forma competente", afirmou Tomás Correia ao Dinheiro Vivo, onde acrescentou que vai ter de haver alterações à "organização interna" do grupo, ainda que sem dizer se quer ser o próprio a levá-las a cabo. 





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