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Trabalhadores do Novo Banco responsabilizam governador por ataques dos lesados

A comissão que junta os funcionários do Novo Banco apoia a intenção da administração de agir judicialmente sobre lesados. Os lesados investidores em papel comercial acusam a gestão e os funcionários.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 19 de Junho de 2015 às 18:17
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A comissão de trabalhadores do Novo Banco continua a defender os funcionários e a atacar os lesados. Mas esta sexta-feira trouxe um novo alvo de acusação: Carlos Costa.

 

"Responsabilizamos as autoridades deste país, bem como o governador do Banco de Portugal, pelas eventuais consequências graves que os trabalhadores do Novo Banco venham a sofrer", indica um comunicado emitido pela comissão de trabalhadores.


No documento, publicado a 19 de Junho, o órgão defende que as ameaças daqueles que se dizem lesados do antigo BES "subiram de tom" e, "de veladas, passaram a explícitas". "Desde ontem, atentaram contra a integridade física e psicológica dos nossos colegas. Vestes rasgadas, empurrões, insultos e demais ameaças. Impedindo a entrada dos trabalhadores nos seus locais de trabalho", acusam os trabalhadores.

 

"A Comissão Nacional dos Trabalhadores manifesta-se, inequivocamente, ao lado dos trabalhadores. Repudiamos, vivamente, o comportamento destas pessoas", diz a comissão coordenada por Carlos Gonçalves que, por outro lado, critica "a passividade das forças policiais".

 

Em tom de elogio, deixa uma palavra ao conselho de administração liderado por Eduardo Stock da Cunha por "intentar/diligenciar acções judiciais contra os agressores". Em comunicado, o Novo Banco afirmou na quinta-feira, 18 de Junho, que vai "exigir, por todos os meios legais, o apuramento das responsabilidades, que estão devidamente documentadas, junto dos mandantes e executantes das agressões verbais e físicas praticadas, incluindo os membros dos órgãos sociais da Associação dos Lesados".

 

A Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial junta clientes do antigo Banco Espírito Santo que adquiriram dívida de curto prazo de sociedades do Grupo Espírito Santo (ESI e Rioforte) que, apesar das promessas iniciais do Banco de Portugal, não foram reembolsados. Vários lesados estão a fazer uma vigília à porta da sede do Novo Banco na Avenida da Liberdade, em Lisboa, até que lhes seja assegurado o pagamento.

 

Esta sexta-feira, e depois dos desacatos do dia anterior, houve administradores do banco, incluindo Stock da Cunha, que foram retirar os cartazes em que apareciam as suas caras. Houve quem os acusasse de roubo, pelo que a PSP de Lisboa tomou conta da ocorrência, conforme noticiou a Lusa.

Os reguladores e o pingue-pongue

 

Eduardo Stock da Cunha defende que não tem mandato do Banco de Portugal e do Banco Central Europeu para solucionar o problema do papel comercial – um tema de que não falou na mensagem que inscreveu no relatório e contas de 2014.

 

O Banco de Portugal defende que são as entidades emitentes (em insolvência no Luxemburgo) que têm de devolver os investimentos – a CMVM também argumenta que os investidores se devem assumir como credores da ESI e Rioforte. Mas este é o único ponto em comum dos reguladores.

 

Na altura da resolução, e em informações transmitidas aos clientes, o Banco de Portugal assegurou que o Novo Banco iria garantir o reembolso do papel comercial vendido aos balcões do BES. O que não assume neste momento, pois poderia inverter a hierarquia de credores, defende Carlos Costa.  

 

Para o governador, a solução passa por assegurar indemnizações a quem provar que foi enganado na comercialização do papel comercial, uma responsabilidade que atribui à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Carlos Tavares rejeita, diz que é difícil provar essas irregularidades dada a diversidade de meios de prova, e defende mesmo que, se pudesse, o caso estava resolvido. O regulador do mercado de capitais acusa mesmo o congénere de ter criado expectativas de reembolso que tem, agora, de cumprir.

 

Enquanto não há avanços, continuam os protestos dos investidores - sem saber se alguma vez serão reembolsados - e mantém-se a defesa dos trabalhadores.

 

 

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