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Tranquilidade investiu 150 milhões de euros no GES... por ordem do GES

A gestão da seguradora justificou o financiamento feito ao Grupo Espírito Santo, que abriu um buraco nas suas contas, com a "instrução" dada pelo seu accionista principal, contou Macedo Pereira, do conselho fiscal da Tranquilidade, no Parlamento.

Bruno Simão/Negócios
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A Tranquilidade investiu 150 milhões de euros no Grupo Espírito Santo que abriu um buraco na empresa – e que acelerou a necessidade de ser vendida para que fosse capitalizada nesse montante. Esta não é uma novidade. Já se sabe que o financiamento foi feito com a promessa de ser um crédito a uma semana. Conhece-se agora de onde veio a ordem: do accionista único Partran, ou seja, do próprio GES.  

 

A Partran é uma sociedade do Grupo Espírito Santo, subsidiária da Espírito Santo Financial Group, "holding" que controlava a área financeira daquele universo. A Partan é quem tem, nas suas mãos, todo o capital da Tranquilidade. E foi daí que, segundo o membro do conselho fiscal da seguradora José Macedo Pereira, veio a ordem para ser feito aquele investimento em 2014.  

 

Quando teve conhecimento desse financiamento ao GES, Macedo Pereira garante ter escrito uma carta, cumprindo o seu "dever de vigilância". "Essa carta foi dirigida à gestão e a gestão só em Junho respondeu, dizendo que tinha sido uma instrução do accionista principal, que era a Partran", disse o responsável à centrista Cecília Meireles. Rui Silveira, que também pertencia a este órgão, já tinha dito que o investimento foi feito com a promessa de ser um crédito a uma semana. O valor nunca foi reembolsado pelo grupo à seguradora.  

 

O revisor oficial de contas afirmou que era normal haver uma "relação privilegiada" entre a Tranquilidade e o BES e o GES, admitindo que já teria havido financiamentos idênticos ao feito em 2014 mas sempre "em valores muito mais baixos".  

Quando soube deste investimento específico, o membro do conselho fiscal da Tranquilidade garante ter comunicado com o regulador Instituto de Seguros de Portugal (ISP). Macedo Pereira elogiou, por várias vezes, o papel do líder desse regulador, José Almaça.  

 

A Tranquilidade esteve para ser vendida à norte-americana Apollo, que se comprometeu a investir os 150 milhões necessários para a capitalização da sociedade. Contudo, a operação foi anulada por uma providência cautelar – o regulador quer que a venda se concretize até ao final do mês de Janeiro. A gestão da seguradora que fez o investimento, sob a presidência de Pedro Brito e Cunha, mantém-se ainda em funções.

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