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TVI diz que Comissão da Carteira não fez perguntas sobre Banif

Sérgio Figueiredo admite problemas na parte da notícia da TVI sobre o Banif que falava na perda de depósitos acima de 100 mil euros. Mas quando falou no fecho era para decifrar a palavra resolução. 

Miguel Baltazar/Negócios
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Sérgio Figueiredo defende a actuação da TVI, argumentando que não percebe porque é acusado de, sobre o rodapé que falava no fecho do Banif, não ter cumprido o Código Deontológico do Jornalista.

 

"Se tem razão, e se é assim como diz [que a TVI violou o Código], eu julgo que a ERC e a própria Comissão da Carteira [Profissional de Jornalista] já deveriam ter feito essas perguntas a mim e aos profissionais da TVI, coisa que não fizeram", respondeu Sérgio Figueiredo na audição desta quarta-feira, 18 de Maio, em resposta à deputada bloquista Mariana Mortágua, que acusa aquela estação de violação do Código Deontológico.

 

Na comissão de inquérito ao Banif, o director de informação da TVI também aproveitou para defender que nenhuma destas entidades passou uma "procuração" aos deputados para fazerem a avaliação à conformidade do Código. Mortágua respondeu que a comissão de inquérito tem esses poderes e não precisa de qualquer procuração.

Às questões colocadas pelo deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, Sérgio Figueiredo clarificou o que queria dizer: a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social – até colocou questões, mas apenas reenviando as queixas de particulares que estava a receber.

 

O organismo regulador dos media pediu "um conjunto de esclarecimentos, que foram dados à data", garante Sérgio Figueiredo. 

 

Sérgio Figueiredo argumentou que quando a TVI, no rodapé de 13 de Dezembro, anunciou o fecho do Banif, estava em causa uma "decifração": segundo o director da TVI (que foi também director do Diário Económico e do Negócios), nem todos os telespectadores tinham capacidade para perceber o que queria dizer resolução. "Foi a forma como a redacção traduziu essa informação". Mesmo assim, em nome do rigor, decidiu, meia hora depois, tirar a palavra "fecho" e mudar para "resolução". Sérgio Figueiredo argumenta que não era um erro, mas uma actualização.

 

Mas há um problema que Sérgio Figueiredo admite: "a parte dos depósitos foi interpretação". A TVI assinalou, no arranque do rodapé, que os depositantes com mais de 100 mil euros seriam penalizados na operação. Depois corrigiu a informação. Questionado sobre a origem dessa parte da informação, o jornalista disse que aquela não foi uma informação dada, foi uma interpretação da lei. "Não há dolo, não há manipulação", assegurou, dizendo que não houve nenhuma fonte a falar daquela questão.

 

O líder da informação da estação de Queluz de Baixo indicou que o assunto Banif estava a ser "investigado há muito tempo", remetendo para as declarações de António Costa, primeiro, e Maria Luís Albuquerque, depois, em época eleitoral, em que o primeiro falou em problemas financeiros no país e em que a ex-ministra concluiu que tinham a ver com o Banif e com a TAP. 

(Notícia actualizada com as novas declarações de Sérgio Figueiredo, em que rectificou que, afinal, a ERC fez perguntas)

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