Banca & Finanças TVI: "Não aceito que me façam de culpado de uma coisa que não sou"

TVI: "Não aceito que me façam de culpado de uma coisa que não sou"

Sérgio Figueiredo recusa culpas pela fuga de depósitos no Banif que se seguiu ao rodapé da TVI. E defende que, além da administração do banco, ninguém desmentiu a notícia. 
TVI: "Não aceito que me façam de culpado de uma coisa que não sou"
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 18 de maio de 2016 às 19:08

"É abusivo atribuir à notícia da TVI tudo o que aconteceu até ao fim da semana". A defesa é de Sérgio Figueiredo na audição desta quarta-feira, 18 de Maio, na comissão de inquérito ao Banif, referindo-se ao rodapé que deu conta, por meia hora, que o fecho do Banif estava a ser preparado.

 

Houve partilha de responsabilidades por parte de Sérgio Figueiredo: "O que insulta a inteligência dos portugueses é achar que algo que aconteceu ao longo de quatro anos, que provou o rombo da dimensão que sabemos, pode ser associado a um rodapé e a uma notícia que, na substância, está intocável".

 

"O jornalismo cumpriu a sua função", assegurou o director de informação da TVI (que foi também director do Diário Económico e do Negócios). "Não aceito que me façam de culpado de uma coisa que não sou". Depois da notícia da TVI de 13 de Dezembro, saíram 960 milhões de euros em depósitos.

 

"As autoridades não tomaram nenhuma iniciativa no sentido de impedir o pânico", salientou. 

 

Em relação ao desmentido da notícia, que a TVI fez na terça-feira, Sérgio Figueiredo defendeu que aquele comunicado foi feito por não ter dado a dignidade que devia à notícia. "Se há coisa de que verdadeiramente me arrependo foi não ter interrompido a informação desportiva [que estava a dar na TVI24 quando passava o rodapé a anunciar o fecho do banco] e ter aberto um especial de informação para que aquilo não se limitasse a frases telegráficas".

 

"O pedido de desculpas não foi por uma notícia que estava errada. Foi por termos feito algo que permitia tirar interpretações de que o banco iria fechar no dia a seguir, coisa que não dissemos", assinalou Sérgio Figueiredo.

 

A indicação de que o fecho do Banif estava a ser preparado foi a primeira a passar no rodapé da TVI a 13 de Dezembro. Meia hora depois, houve uma correcção de que o que estava a ser preparado era a resolução. "Nessa segunda-feira, o Ministério das Finanças publica um esclarecimento e no dia a seguir o Banco de Portugal publica um esclarecimento", diz Sérgio Figueiredo. "Nenhum corrobora", contrapôs o deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim. "Nem a desmente", atirou o director de informação da TVI.

 

Se tivesse havido um desmentido a sério – que o jornalista defende não poder existir porque garante que a informação que a TVI avançou era correcta e verdadeira –, não haveria a fuga de depósitos. Só a administração do Banif desmentiu a notícia, mas o director de informação da estação de Queluz de Baixo argumenta que tudo foi preparado por instâncias superiores sem dar conhecimento à gestão do banco.

 

Sérgio Figueiredo surgiu na audição desta quarta-feira acompanhado de vários profissionais da TVI, nomeadamente por jornalistas com capacidade de edição. 




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