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Ulrich desgostoso com falta de voz em Portugal em defesa do BFA

O líder do BPI critica a postura de Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque por não terem feito "nada" contra a regra do BCE que obriga a reduzir a exposição dos bancos a Angola.

Bruno Simão/Negócios
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Fernando Ulrich está desgostoso com Portugal. O BPI retira uma grande parte dos resultados do seu banco em Angola, o BFA. Mas vai ter de reduzir a sua exposição ao mercado, por imposição do Banco Central Europeu. O banqueiro não concorda mas percebe. A sua verdadeira crítica é para Lisboa.

 

"O meu desgosto/protesto não é com as instituições europeias, que têm uma tarefa muito difícil, têm regras a impor que são iguais para todos. Aquilo que me desgosta é que não ouvi uma voz em Portugal que se incomodasse com isto", declarou Fernando Ulrich na conferência organizada pela Associação Portuguesa de Bancos e pela TVI, intitulado "O presente e o futuro do sector bancário". "Nem sequer uma condecoraçãozinha no 10 de Junho".

 

"Zero absoluto". Foi isto que Ulrich sentiu em Portugal em relação a um combate em Portugal à obrigação de cortar a exposição a Angola. E houve dois alvos específicos. "O Governo anterior, zero absoluto", disse, referindo especificamente o anterior primeiro-ministro, Passos Coelho, e a então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. "Preocupação com este tema? Nada. Ninguém fez nada".

 

Apesar disso, o líder do BPI tem "esperança" de que, com as declarações que ouviu na conferência desta terça-feira, as coisas possam mudar. Ulrich mencionou as palavras da líder do Conselho Único de Resolução, Elke Konig, que falou na abertura dos portugueses a novos mundos, e as do Presidente da República. A juntar a isto, também sublinhou que o governador do Banco Nacional de Angola elogiou, na semana passada, o BFA como uma "referência e um exemplo".

 

"Portanto, não consigo entender como é que juntando as peças todas, o resultado é a aplicação acrítica de uma regra, que não se discute, que nos obrigará a ser expulsos de Angola", afirmou Ulrich na conferência, ao lado dos restantes grandes banqueiros.

 

O líder da Associação Portuguesa de Bancos, Faria de Oliveira, também lançou farpas à regra do BCE, que não reconhece a equivalência da supervisão a Angola (e outros países africanos), dizendo que ela penaliza os bancos portugueses, que têm aí vantagens comparativas.

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