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Ulrich foi à sede do PS reiterar a inevitabilidade da concentração na banca

Há vários problemas na banca, desde a concorrência dos não-bancos aos maiores custos de regulação. E, segundo o presidente do BPI, a diminuição do número de concorrentes é uma forma de responder a isso. 

Miguel Baltazar/Negócios
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O presidente do BPI foi esta terça-feira à sede do Partido Socialista dizer que as exigências a que a banca está sujeita, incluindo as que conduzem à redução da rentabilidade, vão reduzir o número de bancos no mercado.

 

"A diminuição do número de concorrentes é um movimento inexorável, que vai ter avanços e recuos, mas que é uma resposta da economia às exigências a que o sector está sujeito", comentou Fernando Ulrich, ao lado do antigo secretário de Estado socialista, Carlos Costa Pina, e os deputados do PS Eurico Brilhante Dias e João Galamba.

 

Ulrich lembra que é isto que acontece, também, nos outros sectores, embora defenda que se trata da redução do número de concorrentes e não da concorrência em si. "Neste sector, é claro que há economias de escala muito grandes. E isso consegue-se pela concentração. Menos concorrentes aumenta o peso de cada um dos que ficam. Mas não estou a dizer se é bom ou mau; estou a dizer que é assim".

 

Num debate no Largo do Rato, em Lisboa, sob o tema "O sector bancário em Portugal: Banca e Economia - desunião de facto?", Fernando Ulrich avançou as várias exigências que estão pela frente da banca e que, no seu todo, afundaram a rentabilidade dos bancos comerciais "de forma significativa".

 

A redução das taxas de juro é um dos exemplos, que acaba por render menos em créditos aos bancos. A desalavancagem das economias obrigou a uma redução das carteiras de crédito ("havia que corrigir este excesso"), também levando a uma queda da rentabilidade, ajudada pela "regulação mais exigente em termos de capital e liquidez".


Entretanto, os bancos também perderam uma fonte de receita: a titularidade de dívida de economias da Zona Euro, para vender posteriormente, deixou de gerar rendimento. "É bom para a economia", disse Ulrich, mas nem tanto para as instituições financeiras.

 

Fernando Ulrich levantou ainda como problemas para a rentabilidade dos bancos as contribuições que há para os vários fundos ("o custo de regulação/supervisão é bastante significativo") e ainda a "concorrência dos não-bancos" (empresas tecnológicas que "estão a entrar em determinadas partes do negocio bancário" e que, no futuro, vão obrigar os bancos a investir para não serem ultrapassados).

 

Imparidades não são problema estrutural

 

Numa altura em que se continua a falar de crédito malparado (a constituição de um banco mau que agregue estes empréstimos onerosos dos bancos é uma intenção do Executivo), Ulrich disse que estas imparidades para crédito fazem parte de um problema "conjuntural" e não estrutural como os outros problemas mencionados. O líder do BPI defende que esta rubrica tem aumentado "nalguns bancos" mais fortemente que noutro, pelo que depende da actuação da gestão.

 

Ulrich, que sempre se assumiu próximo do PSD de Passos Coelho, tem feito vários elogios públicos ao primeiro-ministro socialista António Costa, nomeadamente elogiando a sua actuação com o diploma que obriga a uma votação sobre os limites aos direitos de voto que existem em bancos nacionais, como é o caso do BPI.

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