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"Um desastre tão anunciado quanto adiado". Como a imprensa internacional noticiou a queda do Banif

A imprensa internacional deu mais destaque ao facto de ter sido o Santander a comprar o Banif do que à resolução do banco português. Ainda assim assinalam que é o segundo caso em Portugal num curto espaço de tempo.

Rui Silva
Ana Serafim anaserafim@negocios.pt 22 de Dezembro de 2015 às 19:13
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A compra dos activos saudáveis do Banif pelo espanhol Santander é por agora o principal foco das notícias que a imprensa internacional tem publicado sobre a resolução do banco madeirense, embora também se destaque que este é o segundo procedimento do género em Portugal em pouco mais de um ano, após o ‘Caso BES’.

 

"Portugal vende Banif ao Santander como parte de um plano de salvação de 2,2 mil milhões de euros", titulava a Reuters. "Santander compra Banif em Portugal por 163 milhões de dólares após resolução" lia-se na Bloomberg.

 

Também o diário brasileiro O Globo dava destaque à aquisição, tal como o The Wall Street Journal, que começava por escrever que o "pequeno banco português" será desmantelado e maioritariamente vendido ao Santander, ao mesmo tempo que receberá uma "grande injecção de capital do governo".

 

Os periódicos espanhóis seguiram a mesma lógica. Por exemplo, o único artigo disponibilizado no site do Expansión sobre a resolução do Banif enfatiza o ganho de quota que o Santander terá no mercado português, onde passará a ser o segundo maior a operar.

 

Já o diário El País traça um retracto mais alargado do sistema bancário português introduzindo ainda algum contexto político. Afirma que "a venda ao desbarato do Banif era um desastre tão anunciado quanto adiado" e que foi a "primeira batata deixada pelo anterior governo conservador ao novo governo socialista". A CGD é apontada como a "dor de cabeça seguinte", a par das também "situações delicadas" do Montepio e do BCP.

 

Ainda que esta não seja uma análise que apareça noutras publicações, a referência à resolução do BES, a segunda em Portugal em pouco mais de um ano, surge, por exemplo, nos artigos do Financial Times, do The Wall Street Journal ou das agências especializadas Bloomberg e Reuters.

 

Na imprensa internacional, o Estado português surge como central na solução encontrada para o banco madeirense, cujo resgate implicou uma injecção de capital de 2,255 mil milhões de euros. Desses, detalha-se, 1,766 mil milhões virão directamente dos cofres públicos e os restantes 489 milhões do fundo de resolução.

 

Com a aproximação da entrada em vigor das novas regras europeias para o resgate de instituições bancárias, a 1 de Janeiro, é ainda explicado que os activos tóxicos do Banif serão remetidos para um veículo próprio.

 

A protecção dos depósitos e as perdas que accionistas e credores subordinados terão de assumir também surgem explicitados nas diferentes publicações. E o primeiro-ministro português, António Costa, assumindo que a resolução terá "custos muito altos" para os contribuintes, é o mais citado, a par das justificações do Banco de Portugal para a decisão.

A imprensa internacional faz ainda eco das declarações dos Ministro das Finanças, Mário Centeno, garantindo que a resolução terá impacto no défice, mas não afectará a saída de Portugal do procedimento do défice excessivo.

 

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