Banca & Finanças Venda do Novo Banco privilegia entidades que já estão no sector financeiro

Venda do Novo Banco privilegia entidades que já estão no sector financeiro

O processo de venda do Novo Banco vai trabalhar em “duas vias paralelas”: alienação a investidores estratégicos e venda em mercado. Em ambas as alternativas, Banco de Portugal vai privilegiar compradores que já estão no sector financeiro.
Venda do Novo Banco privilegia entidades que já estão no sector financeiro
Bloomberg
Maria João Gago 31 de março de 2016 às 19:30

O Banco de Portugal está a trabalhar em "duas vias paralelas" para vender o Novo Banco, uma que passa pela alienação directa a investidores estratégicos e outra através da venda em mercado com recurso a um ou mais investidores de referência, confirma a entidade liderada por Carlos Costa em comunicado divulgado esta quinta-feira, 31 de Março.

Independentemente do modelo que venha a ser escolhido para concluir a alienação da instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha, serão privilegiados os potenciais interessados com investimentos no sector financeiro.

 

No caso da venda estratégica, "só serão admitidos os investidores que sejam instituições de crédito ou empresas de seguros e/ou que já detenham directamente ou sob gestão participações accionistas qualificadas em instituições de crédito e/ou em empresas de seguros", de acordo com os critérios de elegibilidade dos candidatos publicados pelo Banco de Portugal.

 

Já no procedimento de venda em mercado, a entidade liderada por Carlos Costa avisa que, no caso de ser "necessário limitar o número de ‘cornerstone investors’ [investidores de referência]", fará uma avaliação que terá em conta, entre outros factores, a "experiência adquirida na participação como efectivo ou potencial ‘cornerstone investor’ em transacções semelhantes".

Nos dois modelos possíveis de venda, os candidatos não podem ter "pendente qualquer litígio administrativo ou judicial contra" a resolução do BES, a criação do Novo Banco, a transmissão de activos, passivos ou elementos extrapatrimoniais do banco "mau" para p banco de transição ou qualquer decisão do Banco de Portugal sobre a instituição liderada por Stock da Cunha.

 

Além disso, têm de respeitar os compromissos assumidos por Portugal perante a Comissão Europeia, não terem sido condenados por violação da Lei sobre o branqueamento de capitais, não estarem sujeitos a sanções relacionadas com o combate ao financiamento do terrorismo, não terem origem num país considerado de alto risco ou não-cooperante pelos critérios do Grupo de Acção Financeira sobre o branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo.

 

Os requisitos são mais exigentes no caso do modelo de venda em mercado. Os potenciais investidores de referência têm de "deter ou investir discricionariamente um montante mínimo de 100 milhões de euros em valores mobiliários (ou de 10 milhões de euros no caso de se tratar de um ‘broker-dealer’; ser um ‘broker-dealer’ que actue em representação de um investidor identificado" com investimentos daquele valor ou que seja um banco ou uma seguradora ou integrar um grupo económico que preencha esses requisitos.

 

Candidatos já estão a ser consultados

 

Neste momento, segundo revela o comunicado do Banco de Portugal, está em curso a "consulta junto de investidores estratégicos e institucionais, que possam estar interessados em participar em uma das vias referidas" para a alienação do Novo Banco.

 

No entanto, só "em momento futuro" será feita a escolha final do modelo de venda do banco de transição, alerta a instituição liderada por Carlos Costa, que está a ser assessorada pelo Deutsche Bank nesta operação.

 

O processo de venda conta ainda com a liderança operacional de Sérgio Monteiro, antigo secretário de Estado dos Transportes do Governo de Passos Coelho. Já o Novo Banco está a ser assessorado pelo JP Morgan.



(Notícia actualizada com mais informação às 20:04)




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