Banca & Finanças Venezuela tem relação "importante" com Novo Banco apesar de cartas-conforto

Venezuela tem relação "importante" com Novo Banco apesar de cartas-conforto

A Venezuela foi, ao longo dos anos, um cliente de relevo extraordinário para o BES – presumo que vai continuar a ser para o Novo Banco", garantiu um dos ex-administradores executivos do BES, António Souto.
Venezuela tem relação "importante" com Novo Banco apesar de cartas-conforto
Bruno simão
Diogo Cavaleiro 13 de janeiro de 2015 às 18:14

As cartas-conforto da Venezuela, que levaram o Banco Espírito Santo a reconhecer perdas de quase 300 milhões de euros, não estragaram a relação com a Venezuela, garantiu o ex-gestor do banco, António Souto.

 

Em resposta ao deputado socialista José Magalhães, Souto negou que os clientes da Venezuela, como a petrolífera PDVSA, tenham trocado o BES por outra instituição financeira.

 

"A Venezuela não só não substituiu o banco como até reforçou as relações. E tanto quanto é do meu conhecimento, está ainda mais importante essa relação, em termos globais, com o Novo Banco", afirmou Souto que se mantém como assessor desta entidade que herdou os activos e passivos do BES apesar de, a 30 de Julho, ter sido suspenso das funções de administrador executivo do banco.

 

A relação entre a Venezuela e o Novo Banco "tem-se mantido sem qualquer hesitação". "A Venezuela foi, ao longo dos anos, um cliente de relevo extraordinário para o BES – presumo que vai continuar a ser para o Novo Banco".

 

Isabel Almeida, antiga directora do departamento financeiro do BES, afirmou no Parlamento que os clientes da Venezuela "reduziram significativamente os depósitos" que tinham no BES em Julho e em Agosto de 2013. De qualquer forma, continuam a ser "significativos, mas inferiores".

 

O BES acabou por ser prejudicado, nas suas contas semestrais, pelo facto de ter lançado cartas-conforto a clientes institucionais venezuelanos, assinadas apenas por Ricardo Salgado e José Manuel Espírito Santo, que asseguravam o reembolso de dívida do Grupo Espírito Santo que estes tinham subscrito.

 

Na óptica de António Souto, estas cartas-conforto são "ilegítimas" – "não podiam ter sido emitidas sem a aprovação dos respectivos órgãos do banco". O antigo gestor relatou que foi com base numa sociedade de advogados (Linklaters) e da auditora (KPMG) que se decidiu provisionar a 100% aquelas cartas (ou seja, reconhecer nas contas que aquela dívida tivesse de ser totalmente paga, logo com perdas para o banco).  

 




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