Jornal Negócios

Toys 'R' Us Portugal não brinca e cresce mais que Espanha
Portugal tem sido uma boa surpresa para a Toys ‘R’ Us: as receitas das lojas nacionais crescem a um ritmo superior ao das irmãs espanholas. Para o ano, o CEO conta abrir mais dois espaços por cá e inaugurar um novo conceito de loja.
Reuters
Ana Batalha Oliveira 01 de Dezembro de 2019 às 23:30

A Toys ‘R’ Us viveu em 2018 um ano pouco dado a brincadeiras: nos Estados Unidos passou por um processo de liquidação e na Península Ibérica só escapou com a ajuda de um "cisne verde": a portuguesa Green Swan. Cerca de um ano depois, a nova dona já abriu três lojas e quer continuar a renovação.

No processo, a melhor surpresa foi encontrada deste lado da fronteira: a cadeia em Portugal está a afirmar-se a um nível consideravelmente superior ao conseguido em Espanha. "Portugal está a ajudar mais do que Espanha", no que toca às receitas da Toys ‘R’ Us, partilha em declarações ao Negócios o CEO da empresa, Paulo Sousa Marques. As receitas em território português estão a crescer na ordem dos dois dígitos, enquanto Espanha se fica por um único dígito e "baixo", explica Sousa Marques.

As 11 lojas em território nacional contribuem em 20% para as receitas totais da Península Ibérica, quando a Toys ‘R’ Us conta com quase o quíntuplo das lojas no país vizinho - 51. Além disso, até ao momento, "em Portugal fomos sempre lucrativos", garante o CEO. Já para Espanha, o objetivo para este ano é conseguir o "break-even".

Acho que a notícia que a Toys ‘R’ Us foi comprada por um grupo português teve impacto (nas receitas). (...) Confesso que não esperava. Paulo Sousa Marques
CEO da Toys ‘R’ Us Iberia

Já em relação às razões que suportam o desempenho mais animador das lojas em Portugal, o CEO começa por falar na situação de instabilidade política em Espanha, cujos danos se estendem à economia, mas fecha com outro argumento: "acho que a notícia que a Toys foi comprada por um grupo português teve impacto", considera. Em todo o caso, este foi um desfecho surpreendente para os novos donos. "Confesso que não esperava", diz Paulo Sousa Marques.

A meta de faturação que já havia sido avançada pelo grupo colocava a fasquia para 2019 nos 170 milhões de euros, no conjunto da Península Ibérica, um nível que "ainda é possível" dependendo do desempenho neste Natal, estima o gestor. Prefere não aprofundar os números, dada a sua incompletude. "De hoje, até ao final do ano, eu vou vendar mais do que vendemos do início do ano até agora", justifica.

Prendas no sapatinho português

A Toys ‘R’ Us não quer esgotar as surpresas na época natalícia. Em 2020, o CEO planeia abrir mais duas lojas no país, cuja localização está a ser negociada, assim como o momento da abertura. Paralelamente, centros comerciais no Porto e em Lisboa estão a competir com ofertas para estrearem um novo conceito de loja, mais "experiencial", avança Sousa Marques. Dinossauros robóticos, palcos com instrumentos musicais e jogos interativos vão entreter os clientes, numa tentativa de afastar a loja da imagem de "armazém de brinquedos". "Testámos aqui no escritório, no outro dia, um jogo interativo. Agora o nosso lema é: ‘é proibido não tocar’", conta o gestor.

Em 2019 a Toys ‘R’ Us já abriu uma loja em Portugal, no Algarve Shopping, em Albufeira. Os investimentos este ano chegaram aos 7 milhões de euros, a maioria dirigido à referida remodelação e abertura de lojas. Mas a base informática da empresa também sofreu uma "reviravolta", que custou 2,5 milhões.

"A venda online subiu muitíssimo", diz o CEO. Foi acrescentada a possibilidade de aceder no telemóvel aos serviços do site e adicionados novos métodos de pagamento. De um peso de 4%, o negócio online passou para 7% no espaço de um ano. O canal de YouTube da marca, inaugurado deste lado da fronteira, foi outro grande impulsionador da presença online.

A Toys ‘R’ Us viveu em 2018 um ano pouco dado a brincadeiras: nos Estados Unidos passou por um processo de liquidação e na Península Ibérica só escapou com a ajuda de um "cisne verde": a portuguesa Green Swan. Cerca de um ano depois, a nova dona já abriu três lojas e quer continuar a renovação.

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