Comércio Calçado português quer morder preço italiano

Calçado português quer morder preço italiano

A indústria portuguesa de calçado quer dar o pulo final para alcançar o sapato mais caro do mundo. Com a Itália na mira, apresenta esta quarta-feira o seu novo plano estratégico 2014-2020, que pretende reforçar o trabalho de sucesso feito até ao momento. Objectivo de longo prazo: duplicar as exportações para cerca de 2,5 mil milhões de euros.
Calçado português quer morder preço italiano
Miguel Baltazar/Negócios
Rui Neves 04 de dezembro de 2013 às 12:55

Mais alto, mais rápido, mais forte. A menos de um mês de fechar mais um ano recorde de exportações, atingindo os 1,7 mil milhões de euros, a indústria nacional de calçado apresenta esta quarta-feira o seu plano estratégico para o período de 2014-2020.

 

Alicerçado nos excelentes resultados alcançados pelos cinco planos anteriores, tendo o preço médio de exportação aumentado 25% entre 2006 e 2012, atingindo os 23 euros o par – o segundo mais caro do mundo, a ambição agora é morder os calcanhares à líder Itália.

 

“A indústria mais sexy da Europa” tem assim como principal acção estratégica para os próximos anos a campanha de imagem colectiva. “O objectivo fundamental é trabalhar o posicionamento percebido do calçado português, aproximando-o do líder mundial, a Itália”, lê-se no “FOOTure 2020”, a apresentar pela associação do calçado (APICCAPS) esta quarta-feira, num almoço a decorrer no Porto e que conta com a presença do ministro da Economia, Pires de Lima.

 

Entre outras acções prioritária, a indústria portuguesa de calçado quer atrair para este “cluster” jovens com qualificações adequadas às exigências dos modernos processos produtivos e qualificar os actuais trabalhadores. “Neste âmbito, prevê-se, nomeadamente, reorganizar a formação de âmbito sectorial, valorizando as potencialidades da Academia de Design e Calçado, e encontrar um modelo adequado para a participação da indústria de calçado na formação dual”, avança a APICCAPS.

 

Uma outra linha de acção visa responder especificamente às necessidades de formação e qualificação da gestão de topo das empresas do “cluster”. Para isso, define o plano estratégico, “é indispensável atender às suas características específicas, nomeadamente à polivalência que a pequena dimensão das empresas exige dos seus gestores, ao percurso de vida de muitos destes, frequentemente iniciado nas actividades fabris, e à renovação geracional que se está a dar em muitas empresas”

 

O sector do calçado pretende também reforçar as competências de design do “cluster”, como elemento essencial para concretizar o propósito de sofisticação e criatividade. Nesse sentido, “prevêem-se quer acções direccionadas para reforçar as competências dos designers, nomeadamente um programa de estágios internacionais, quer acções que visam reforçar a sua integração na indústria, seja como prestadores de serviços, seja mesmo como empresários”

 

Estimular o empreendedorismo, “como factor de alargamento e rejuvenescimento do ‘cluster’ de calçado, e aposta na “recolha de ‘intelligence’ de suporte ao processo estratégico empresarial, colmatando as debilidades que um tecido de pequenas e médias empresas inevitavelmente apresenta nessa matéria”, são outras acções a promover até ao final da década.

 

O “Footure2020” é o sexto plano estratégico da fileira do calçado, que procura, em traços gerais, definir as grandes prioridades do sector para os próximos sete anos. O primeiro documento foi apresentado em 1978 e teve como principal autor Miguel Cadilhe, antigo ministro das Finanças.

 

Cinco anos depois nascia uma nova visão estratégica para o calçado português, desta vez assinada por Carlos Costa, actual governador do Banco de Portugal.

 

Os últimos três (de1994, 1999 e 2007) e o firmado para 2014-2020 foram coordenados pelo economista Alberto Castro.

 

Neste espaço de tempo (34 anos), o número de empresas de calçado duplicou para mais de 1.300, o número de trabalhadores aumentou mais de 130%, para cerca de 26 mil, e as exportações cresceram de três milhões para 1,6 mil milhões de euros, com o peso das vendas ao exterior na produção a passar de 30% para 96%.




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