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Covid-19 abre guerra entre Pingo Doce e sindicato

Em causa está uma denúncia do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), sobre um aumento de casos de trabalhadores infetados nas lojas do Pingo Doce. Marca do grupo Jerónimo Martins refuta a situação e diz que vai tomar as “medidas judiciais adequadas”.

A importação de bens para venda nas lojas em Portugal tem valido um lugar no ranking das maiores importadoras ao Pingo Doce, que pertence à Jerónimo Martins. De acordo com dados da empresa, cerca de 20% das compras totais do grupo são feitas a fornecedores estrangeiros.
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 19 de Junho de 2020 às 12:08
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A denúncia partiu do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP). Segundo o CESP, em "diversas lojas Pingo Doce da Grande Lisboa" está a verificar-se um "grande aumento no número de trabalhadores infetados com covid-19". Referem ainda, em comunicado, que a empresa não está a tomar "as devidas medidas de segurança".


O sindicato dá o exemplo de duas lojas dos supermercados do grupo Jerónimo Martins. Na loja de Telheiras, diz o CESP, "durante os testes, trabalhadores da mesma secção confirmaram estar infetados". Acrescenta o sindicato que "a direção de loja não tomou quaisquer medidas extraordinárias, limitou-se a deslocar trabalhadores de uma secção para outra sem qualquer desinfeção prévia".

Contactada pelo Negócios, a dirigente sindical Luísa Alves afirma que os primeiros casos nesta loja foram identificados há cerca de um mês e que afetaram "uma equipa inteira de uma secção".


Já na loja da Bela Vista, o CESP refere que "apesar de terem ficado de quarentena os primeiros trabalhadores infetados, não foram feitos testes aos restantes trabalhadores e a situação foi abafada pela empresa". Nesta loja, o sindicato tem conhecimento de "três ou quatro contaminados", que foram identificados há cerca de duas semanas.


O sindicato aponta que "o Pingo Doce tinha assumido que qualquer trabalhador que tivesse contraído a doença seria colocado em isolamento profilático" bem como "os com eles estivessem em contacto direto". Porém, "isto não se verifica em todas as lojas", resume o CESP, que apela à empresa por "uma revisão dos planos de contingência".


Contactada pelo Negócios, fonte oficial do Pingo Doce refuta "veementemente as informações divulgadas", afirmando que "refletem um total desconhecimento das regras em vigor na empresa e das próprias normas impostas pela DGS".


O Pingo Doce afirma ter no terreno "uma equipa médica interna, constituída por médicos e enfermeiros", em contacto com os respetivos delegados de saúde, que acompanha todos os colaboradores "e assegura que todas as medidas de saúde e segurança são aplicadas".


Destaca ainda que desde o início da crise pandémica foi implementado um "plano de contingência robusto, com muitas medidas preventivas, até mais exigentes do que as definidas pela DGS, para minimizar ao máximo os riscos de propagação".

O Pingo Doce considera que "a gravíssima acusação de que temos colaboradores infetados ou de quarenta profilática a trabalhar é totalmente falsa, tal como é do conhecimento das autoridades oficiais".


Sobre os casos apontados pelo CESP, fonte oficial da marca revela que estão a ser feitos testes em ambas as lojas, "por serem grandes polos comerciais na zona de Lisboa, apesar de nenhum colaborador apresentar sintomas". Até ao momento, garante o Pingo Doce, "todos os resultados deram negativo". Já esta sexta-feira, a empresa afirma ter recebido os todos os testes da loja de Telheiras, "mais de 200", todos com resultado negativo.


A empresa refere ainda que tem levado a cabo testes proactivos, de forma voluntária, "sempre que a nossa equipa médica interna assim o entende". Dá o exemplo do centro logístico da Azambuja, uma zona que registou, há poucas semanas, um foco de infeção, no entreposto da Sonae MC. O Pingo Doce assegura que testou "os mais de 800 colaboradores" que trabalham no local.


Além da denúncia de novos casos, o CESP refere ainda que numa das lojas, foi entregue aos funcionários um documento de confidencialidade, "para que assinassem tomando conhecimento da obrigatoriedade de não divulgarem, sob qualquer circunstância, o que se estava a passar no local de trabalho, caso contrário, iriam ‘sofrer consequências’".


Confrontado, o Pingo Doce diz desconhecer o documento referido, e afirma que "dada a gravidade das acusações", irá "tomar as medidas judiciais adequadas a esta situação".


O CESP fez chegar ao Pingo Doce um ofício, ao qual ainda não obteve resposta. "A empresa não responde a qualquer ofício que façamos", afirma Luísa Alves, que apela ao "diálogo" com os responsáveis dos supermercados. O sindicato revela ter "toda a disponibilidade para reunir com a empresa no sentido de agilizar estes processos de alteração aos planos de contingência e à tomada de medidas concretas".

Notícia atualizada às 12h22 com informação relativa aos testes efetuados em Telheiras.

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