Comércio Dona da Zara quer ganhar tempo e dinheiro com stock integrado

Dona da Zara quer ganhar tempo e dinheiro com stock integrado

A Inditex está a alterar a resposta às encomendas online, que no último exercício valeram 12% das vendas, através de um sistema articulado com as lojas físicas que promete benefícios financeiros, logísticos e ambientais.
Dona da Zara quer ganhar tempo e dinheiro com stock integrado
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António Larguesa 17 de setembro de 2018 às 18:00

A Inditex desenvolveu um sofisticado programa informático para fazer a integração dos stocks das lojas físicas e também do universo online, que até agora trabalhavam de forma isolada. Através da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) e de uma avançada plataforma de gestão, o grupo espanhol pretende aumentar as receitas e reduzir os tempos de entrega nos artigos de vestuário comprados pela Internet.

 

Até ao final de Setembro, todas as 7.448 lojas da Zara – incluindo as 59 em Portugal – vão estar equipadas com este sistema SINT, que permite saber a localização exacta de cada peça e indica qual a maneira mais eficiente de satisfazer a encomenda feita online, que no último exercício equivaleu a 12% do total. Ora, em vez de ser automaticamente um dos 20 armazéns dedicados a esta plataforma de vendas digital (o mais próximo fica em Madrid), poderá ser uma loja física a fazê-lo.

 

Numa apresentação aos jornalistas, em Itália, os responsáveis da Inditex garantiram que são precisos apenas oito minutos, contados a partir do momento em que chega a encomenda, até haver uma decisão sobre a equipa que responde e ser feito o embalamento para enviar ao domicílio. As lojas não terão mais funcionários para esta nova fase e, além dos ganhos logísticos e financeiros – através do acréscimo de stock disponível para venda –, acena com benefícios ambientais pela diminuição das distâncias percorridas.

 

Depois de na última apresentação anual dos resultados da gigante da moda ter informado que já investiu 1.800 milhões de euros no desenvolvimento do comércio online e na integração entre lojas físicas e o digital, o presidente executivo da Inditex, Pablo Isla, aproveitou a reabertura da loja da Zara em Milão para anunciar o alargamento das vendas online a todo o mundo e prometer que, também até 2020, o stock integrado será uma realidade em todas as marcas – detém também a Pull&Bear, Massimo Dutti, Bershka, Stradivarius, Oysho, Zara Home e Uterqüe –, que contam actualmente com 7.448 lojas a nível mundial.

 

O distribuidor inteligente criado pela Cleveron permite a recolha automatizada das encomendas na loja, podendo chegar a Portugal em 2019.
O distribuidor inteligente criado pela Cleveron permite a recolha automatizada das encomendas na loja, podendo chegar a Portugal em 2019.
DR

 

Poucos dias antes de reportar um aumento de vendas de 3% nos seis meses até Julho, naquele que foi o crescimento mais lento em quatro anos – o grupo enfrenta o efeito das temperaturas elevadas, da desvalorização cambial e da maior pressão concorrencial no negócio digital –, a Inditex, que tem sede nas imediações da Corunha, reabriu as portas do número 11 da Corso Vittorio Emanuele, na capital da moda italiana. Foi no último piso deste edifício, onde até 1999 funcionou um cinema, que a Zara mostrou o mais recente ponto de recolha automatizado, criado pela Cleveron, uma empresa da Estónia.

 

Destinado à recolha física das encomendas online, este distribuidor inteligente entrega os artigos aos clientes sem que eles tenham de contactar com qualquer funcionário, bastando introduzir o código QR ou o PIN recebido por e-mail aquando da confirmação do pedido. Em poucos segundos, esta máquina com capacidade para gerir 900 encomendas de forma simultânea, localiza a embalagem e endossa-a directamente ao cliente. Fonte da empresa, que desde Abril está a testar a realidade aumentada no NorteShopping e no Colombo, admitiu que uma das lojas portuguesas da Zara pode vir a receber uma destas máquinas em 2019.

 

Os espelhos interactivos são outra das novidades tecnológicas com teste previsto nesta loja milanesa, em que a informação sobre as colecções mais recentes tem actualizações constantes nos ecrãs que percorrem todos os pisos junto às escadas rolantes. O grupo que lidera o retalho do vestuário a nível mundial e que depende da indústria têxtil portuguesa para o fornecimento de 20% dos artigos preparou estes novos equipamentos para permitirem identificar as peças que interessam aos clientes e apresentarem diferentes sugestões de combinações com outros artigos e acessórios, seleccionados pela equipa de estilistas e designers da marca.
(O jornalista viajou para Milão a convite da Inditex)



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