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Investimento da Jerónimo Martins em aquacultura ronda 10 milhões

O grupo Jerónimo Martins investiu cerca de 10 milhões de euros nos projectos de aquacultura, um em Sines e outro na Madeira e vai abrir um centro de logística no Carregado, disse o presidente em entrevista à Lusa.

Lusa 24 de Fevereiro de 2017 às 07:33
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Questionado sobre o investimento na área da aquacultura, o gestor afirmou que "neste momento é ainda um investimento muito baixo, na ordem dos 10 milhões de euros".

No entanto, esta é uma das áreas de aposta do grupo de retalho em Portugal.

"Os projectos de aquacultura são cruciais para nós porque o consumo de peixe é hoje uma realidade no mundo cada vez maior", explicou Pedro Soares dos Santos, salientando que este é um alimento essencial para a dieta.

"É nossa obrigação proteger as nossas fontes de abastecimento e garantir que essas fontes de abastecimento sejam credíveis do ponto de vista, não só do produto, como também do ponto de vista como se alimentam estes produtos", pelo que decidimos entrar neste mundo para proteger as nossas fontes de abastecimento" e por "ter consciência que o oceano tem hoje um problema enorme, que é um problema de abastecimento e de recursos limitados", disse.

Por isso, "só nos resta proteger a nossa cadeia de abastecimento investindo nestas áreas", prosseguiu, adiantando que o grupo iniciou a aposta na aquacultura há cerca de três anos.

Actualmente, o grupo já tem produção de dourada e robalo e está a estudar como pode melhorar, já que uma "produção [de peixe] leva dois anos a dois e meio" e para a Jerónimo Martins este "é um negócio completamente novo".

Relativamente à nova fábrica de leite do grupo em Portalegre, Pedro Soares dos Santos espera que "em Novembro esteja pronta a laborar", depois de quase um ano de atraso.

"Atrasou muito porque neste país a burocracia atrasa um bocado, forçou-nos quase a adiar um ano, mas neste momento já está a correr", adiantou.

No caso do novo centro de logística do grupo em Lisboa, Pedro Soares dos Santos disse: "Já temos lugar, está comprado, está tudo fechado, agora só estamos no processo burocrático do Ministério do Ambiente e de tudo o resto".

A nova unidade ficará na plataforma logística do Carregado e vai gerar cerca de 300 empregos.

Questionado sobre se os projectos do grupo saltam de burocracia em burocracia, Pedro Soares dos Santos foi peremptório: "Saltam".
 

E instado a apontar o que poderia ser melhorado, sugeriu que que a inspecção deveria ser feita "'à posteriori'".

"Não se devia estar licenciar tudo antes (...), a lei é clara sobre o que é necessário ter" para haver um armazém, sendo que "quem não cumprisse era obrigado a fechar", considerou.

A menos de um mês de cumprir quatro anos de actividade no mercado colombiano, com a cadeia de supermercados Ara, Pedro Soares Santos foi questionado se ainda mantinha a ideia de a Colômbia poder vir a ser o centro operacional do grupo para a América Latina em cinco anos, como o seu pai tinha afirmado em entrevista à Lusa em 2013.

"Esse projecto mantém-se, ora se são cinco anos ou 10, vamos ver. O negócio tem correr bem", mas ainda é preciso muito trabalho.

O gestor explicou que no negócio de retalho, uma empresa que chega a um novo mercado tem de ser líder para ganhar dinheiro.

"Tem de ser primeiro ou segundo, se não forem primeiro ou segundo e não ganharem dinheiro não se podem expandir", disse.

Ora, "construir uma empresa de retalho demora muito tempo para se tornar sólido e ir ao encontro das expectativas do consumidor. Estamos no quarto ano [de atividade na Colômbia], tivemos muito para aprender, ainda temos muito para acertar e quando nos sentirmos altamente confiantes logo veremos o que é que fazemos". "Mas uma coisa é certa: "A Colômbia é um país que a gente acredita e é para ficar".

Sobre o que pensa sobre a aposta em supermercados especializados, como os biológicos, Pedro Soares dos Santos disse não ver espaço no mercado português.

"Não vejo muito espaço para nascerem supermercados biológicos. Podem nascer quatro ou cinco ou seis", mas "por acaso aquele que estava a abrir mais [lojas] começou a fechar" e "até já fechou na zona de Aveiro e anunciou que não vai abrir mais", explicou.

No entanto, "há espaço para pequenos nichos, mas isso não é para as nossas cadeias, porque somos cadeias de 'mass market', de grande rotação do produto, e podemos também ter esses produtos nas nossas atuais instalações".

Pedro Soares dos Santos explicou que não vê espaço em Portugal para o nascimento de cadeias especializadas nesta área porque o mercado tem um problema de margem.

"Não esperem que as margens melhorem, não há espaço de melhoramento de margens porque Portugal é um país muito competitivo, o consumidor português tem muita oferta, tem muita 'freedom of choice', tem muito por onde escolher", salientou.

E as cadeias de retalho "para serem realmente boas têm de ter duas áreas importantíssimas: têm que ter preço, têm que ter inovação, e ter isto torna a vida do consumidor mais fácil. E investir nestas duas áreas não dá hoje espaço para ver uma melhoria de margem e quando não há melhoria de margem as perspectivas de novas cadeias param", concluiu.

Nos últimos cinco anos, o grupo investiu mil milhões de euros no mercado português.

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