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Lucros da Jerónimo Martins caem 17,1% no primeiro trimestre

Jerónimo Martins registou menos 13 milhões de euros de lucros entre Janeiro e Março deste ano. EBITDA recuou 5,1%.

29 de Abril de 2014 às 19:02

O grupo Jerónimo Martins registou uma queda de 17,1% nos lucros consolidados no primeiro trimestre deste ano, face a igual período do ano passado. Contra 75 milhões de euros registados em Março de 2013, a companhia de distribuição alimentar liderada por Pedro Soares dos Santos consolidou resultados líquidos de 62 milhões de euros 12 meses depois.

No período, o EBITDA (resultados antes de impostos, juros, amortização e depreciação) foi de 158,2 milhões de euros, menos 5,1% do que o obtido em igual trimestre de 2013. “A margem EBITDA cifrou-se em 5,4%, uma redução de 60 pontos base em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, devido ao efeito do calendário, ao investimento em preço registado nas principais áreas de negócio e a 2,4 milhões de euros de investimento adicional na Ara e na Hebe”, justificou a direcção da “holding” alimentar.

O EBIT (resultados antes de impostos e juros) caiu 14%, para 91 milhões de euros, no período em análise.

As vendas consolidadas foram de 2,9 mil milhões de euros, mais 5,1% face a igual período do ano passado, anunciou hoje a empresa ao mercado, após o fecho da sessão.

No comunicado ao mercado, a administração da JM adianta que “os resultados” agora divulgados, “reflectem um início de ano mais lento da Biedronka”, mas que “em Portugal, o Pingo Doce registou um forte crescimento de vendas, também ao nível do LFL” (do inglês, “like for like”, ou vendas para o mesmo perímetro de lojas, sem contabilizar aberturas e encerramentos durante o período em análise).

No final de Março deste ano, a dívida aumentou 73,7%, para 471,3 milhões de euros.

Biedronka continua a reforçar peso nas vendas totais

Nas vendas, o motor continuou a ser a Biedronka. A cadeia de supermercados polaca detida pela JM registou vendas de 1,95 mil milhões de euros, um crescimento de 5,9% em euros (e de 6,6% em zloty). Apesar disso, a área de negócio retalhista polaca reforçou o seu peso nas vendas consolidadas pela JM no período em análise, de 66,5% para 67%.

Contudo, descontando o efeito da expansão – a Biedronka abriu mais 19 lojas no trimestre, totalizando em Março 2.405 lojas na Polónia – a rede polaca registou uma quebra de vendas. Assim, o “like for like” da Biedronka recuou 2,7% no início deste ano. A administração da JM adianta que “embora o ‘LFL’ do número de visitas tenha aumentado no período em cerca de 1,5%”, a prestação final foi condicionada por “uma Páscoa tardia”, que este ano se celebrou no segundo trimestre do ano (20 de Abril).

A margem de EBITDA diminuiu 70 pontos base, para 6,5%, devido principalmente ao abrandamento do crescimento das vendas e ao investimento em preço”, adiantou a administração da JM.

Em Portugal, as coisas não correram tão bem. É certo que a cadeia de supermercados Pingo Doce até cresceu, 2,3%, para vendas de 743 milhões de euros no primeiro trimestre do ano.

Mas no negócio grossista, onde a JM lidera o mercado português com a rede Recheio, a companhia registou uma estagnação (de 0,1% entre trimestre homólogos), para 173 milhões de euros de vendas. A administração defende-se, afirmando que “as vendas da Recheio mantiveram-se em linha com o mesmo período do ano anterior, um sólido desempenho num mercado difícil”.

Em termos “like for like”, a cadeia Pingo Doce registou um aumento de 1,1% no trimestre (mais 2% sem os combustíveis) e a cadeia Recheio regrediu 1% no mesmo parâmetro.

Os serviços de marketing, representação e restauração sofreram uma quebra de 5,3% nas vendas, para 17 milhões de euros. 

Novos negócios geram 29 milhões

Os novos negócios da empresa, nomeadamente a nova rede de supermercados Ara, na Colômbia, e o negócio de parafarmácias e drogarias polaco Hebe “geraram, nos primeiros três meses, vendas de 29 milhões de euros que comparam com 13 milhões de euros de vendas registadas no primeiro trimestre de 2013”.

Mas o esforço impactou no EBITDA, como já visto, e nos resultados finais da SGPS: “excluindo a diluição dos novos negócios”, adianta a administração de Pedro Soares dos Santos, o resultado líquido cairia oito milhões, em vez dos 13 milhões de euros consolidados no primeiro trimestre deste ano.

(Notícia actualizada às 19h30, com mais informação)

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