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"Não andamos aqui a matar ninguém"

Antigo presidente e CEO do grupo Jerónimo Martins fez esta quinta-feira a defesa do que chamou a "indústria" da distribuição em Portugal. Incluindo a rival Sonae

7º- Alexandre Soares dos Santos
Presidente do Grupo JM ultrapassa Américo Amorim pela primeira vez em quatro anos.
Isabel Aveiro ia@negocios.pt 13 de Fevereiro de 2014 às 14:17
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Alexandre Soares dos Santos, que durante quatro décadas liderou o grupo JM, até 2013, mas que "há meses" não entra na companhia, acusou hoje os media de fazerem uma campanha contra a grande distribuição, e em defesa da agricultura. 

 

O tema das relações entre os grupos de distribuição alimentar e os fornecedores e produtores está na ordem do dia, a uma semana de entrada em vigor dos diploma sobre Práticas Individuais Restritivas de Comércio (PIRC) que promete regras (e coimas) mais apertadas para o sector do comércio. As duas partes tem vindo a trocar acusações mútuas desde que o diploma foi publicado em diário da República há umas semanas. 

 

"Estou farto", defendeu esta quinta-feira Alexandre Soares dos Santos, que a JM seja tratada como "máquina trituradora" e que "não paga a fornecedores". 

 

"Nós não andamos aqui a matar ninguém", afirmou durante a cerimónia de inauguração do novo centro de distribuição da JM em Silves. 

 

Defendendo que mantém boas relações com os fornecedores, o antigo CEO da JM questionou mais tarde, aos jornalistas: "quem é que não está connosco? Quem não está connosco são os pequenos agricultores porque não se querem organizar em cooperativas". 

 

Alexandre Soares dos Santos reiterou os números do grupo de distribuição: nos últimos anos, defendeu, a JM investiu 1,5 mil milhões de euros, criando 10 mil empregos. Contas feitas aos últimos cinco anos de crise, acrescentou, foram 540 milhões de euros os investidos pela JM em Portugal, criando 1.200 empregos, somou. 

 

Mas assumiu que "para dar retorno accionista", a empresa cotada, e da qual a família Soares dos Santos detém a maioria de capital, precisa "de dar lucros".

 

"Só prestamos bons serviços"

Na defesa dos grupos de distribuição, Alexandre Soares dos Santos, que se apresentou como orador convidado - "agradeço à direcção da JM se ter lembrado que estava vivo", afirmou - chegou mesmo a elogiar a rival liderada por Paulo Azevedo. 

 

"Empresas como a Sonae", disse, baixaram os preços, travaram a inflação e melhoraram os produtos do ponto de vista da segurança alimentar, defendeu. "Só prestamos bons serviços", sublinhou, reiterando o "rigor" do sector. 

 

Na defesa, já afirmada noutras alturas, que como investidor é "muito mais bem recebido" no estrangeiro, Alexandre Soares dos Santos apontou baterias para os mais críticos: "gostam muito mais, se calhar, de ver uma PT desaparecer" para o Brasil, questionou. 

 

"A minha família nunca vai vender" o grupo, disse mais uma vez, mas "gostamos também de ter algum estímulo". Mas "nós não fugimos aos impostos", frisou.  

 

"O que é que queremos?", respondeu o ex-gestor a um jornalista presente, questionado sobre a atitude de Portugal para com o grupo, "que nos deixassem trabalhar sem nos insultarem", respondeu.

 

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