Comércio "Temos de fazer as pazes com o mar para poder evoluir"

"Temos de fazer as pazes com o mar para poder evoluir"

O debate que finalizou o "roadshow" da AICEP em Setúbal teve como foco principal o mar e as pescas. Os representantes da indústria pediram uma maior dinâmica no sector.
"Temos de fazer as pazes com o mar para poder evoluir"
Pedro Elias
André Vinagre 02 de março de 2016 às 19:52

A necessidade de modernização do sector do mar foi um dos pontos concordantes numa conferência organizada pela AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo), que iniciou esta quarta-feira, 2 de Março, em Setúbal, a segunda vaga do "roadshow" que se dedica às exportações e internacionalização da economia portuguesa. 

"Temos de fazer as pazes com o mar para poder evoluir", disse Pedro Seabra, CEO Viatecla, empresa de tecnologias que admite explorar as oportunidades da indústria do mar.

 

O debate contou com a presença de participantes ligados a várias áreas relacionadas com o mar. Além do líder da tecnológica Viatecla, também participaram no debate Manuel Pólvora Santos, presidente da cooperativa Artesanal Pesca, Isabel Guerra, administradora da Docapesca, Fátima Évora, directora de marketing dos portos de Setúbal e Sesimbra, Diogo Lacerda, do Millennium BCP, e Marcelo Duarte, director de exportação da Riberalves.

 

Estes representantes das várias áreas concordaram, ainda, que o mar precisa de dinâmica. "Quando se fala em Portugal, não há a percepção que é um país tecnológico. Já em relação ao mar, acontece o contrário, mas não temos sabido tirar proveito disso", continuou Pedro Seabra.

 

Fátima Évora, do porto de Setúbal e Sines, anunciou a criação de uma marca para o peixe de Setúbal. Sem adiantar mais detalhes, disse que "juntamente com a Docapesca, queremos criar uma marca, a do peixe de Setúbal", adiantou. Diogo Lacerda, responsável pelo "trade finance" do Millennium BCP, realçou que ter "marca é importante para criar exportação". Para a banca, "é mais fácil apoiar projectos com marcas fortes, a marca é muito importante", disse Diogo Lacerda.

 

Do debate, fez ainda parte a polémica questão das quotas da sardinha. "Não há assim tanta falta de sardinha. O nosso mar tem mais sardinha do que tinha", referiu Manuel Pólvora Santos, presidente da Artesanal Pesca, cooperativa de armadores de pesca. "Os pescadores vêem sardinha na costa. Os dados que têm vindo a público estão errados, há mais sardinha do que aquilo que podemos pescar", garantiu. Marcelo Duarte disse mesmo que o bacalhau pode, no futuro, vir a ter o mesmo desfecho devido às pressões europeias para "o consumo de bacalhau fresco". A Riberalves tem um forte mercado de exportação, sendo Brasil e Angola os dois principais países de destino das vendas ao exterior. "O ruído no mercado do Brasil e Angola é preocupante, mas felizmente, temos uma diversificação grande. Também temos o mercado da saudade, o europeu, e o nacional, onde o bacalhau tem muito peso. Cerca de 80% da população consome bacalhau regularmente".

 

Manuel Pólvora Santos falou ainda da competição entre o turismo e a pesca: "Os interesses entre o turismo e a pesca são compatíveis, agora há que fazer as infra-estruturas necessárias". Isabel Guerra, administradora da Docapesca, concordou e disse que, "por vezes, a convivência não é fácil, mas hoje os pescadores já perceberam que os interesses são compatíveis".

 

O programa Mar 2020, que financiará com 500 milhões de euros o investimento no sector nos próximos seis anos, também esteve em cima da mesa. O presidente da Artesanal Pesca afirmou que este programa já devia ter sido implementado há mais tempo e que "o atraso na implementação deste projecto é problemático para algumas empresas". Marcelo Duarte concorda que "os fundos comunitários são importantes" e Isabel Guerra, da Docapesca, também realçou a importância do projecto: "É importante para concluir uma série de intervenções que fizemos nas lotas. Vai haver uma aposta na inovação".




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