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Vítor Bento diz que decisão do Pingo Doce é retrocesso

O presidente da SIBS fala em retrocesso na decisão do Pingo Doce de deixar de aceitar cartões nos pagamentos inferiores a 20 euros. Diz que nas negociações sobre comissões, a distribuição defende os seus interesses e não o dos consumidores.

Negócios negocios@negocios.pt 03 de Setembro de 2012 às 10:12
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Vítor Bento, presidente da SIBS (Sociedade Interbancária de Serviços), diz, em entrevista ao "Público", desconhecer estudos que concluam que as comissões pagas pelos comerciantes em Portugal são superiores às pagas pelos retalhistas noutros países. "Ainda ninguém demonstrou com valores concretos o que afirma. Por outro lado, essa comparação será sempre muito difícil. Depende do que é que se compara e como se compara".

Em relação à polémica que opõe os comerciantes às entidades que gerem os cartões de crédito e débito – reacesa com o anúncio do Pingo Doce de que a 1 de Setembro deixava de aceitar pagamentos em cartões para comprar inferiores a 20 euros –, Vítor Bento comenta que "era muito importante perceber que, nesta negociação, os comerciantes estão a defender os seus interesses e a sua conta de resultados, e não os interesses dos consumidores, como pretendem fazer crer e como muitos opinadores parecem acreditar". Vítor Banco dá como exemplo a Austrália, onde as autoridades impuseram uma redução nas comissões pagas pelos comerciantes. Vítor Bento acrescenta que o resultado foi a não redução dos preços no comércio e o aumento dos custos para os utilizadores bancários.

O mesmo podia acontecer em Portugal. Vítor Bento reforça que as comissões são resultado de um movimento negocial entre as suas partes, tal como acontece noutras áreas do negócio. "Esta negociação não é diferente da que as grandes superfícies têm com outros fornecedores como se viu, por exemplo, em reportagens televisivas sobre a forma como negoceiam com os produtores agrícolas. Aqui, a diferença é que os poderes negociais são mais equilibrados".

O responsável da SIBS deixa mesmo a pergunta: "porquê baixar e não subir [as comissões]?". Segundo Vítor Bento, nos últimos cinco, dez anos as comissões têm descido, "o que não aconteceu com o índice de preços ao consumidor".

Sobre o caso Pingo Doce, Vítor Bento fala em retrocesso e diz que "seria desejável que os consumidores fossem o menos afectados possível", mas acrescenta ser um "retrocesso no caminho de progresso do país e gostaríamos que a paragem de aceitação de cartões não fosse utilizada como arma negocial".

Além disso, Vítor Bento acrescenta que pagar em dinheiro também tem custos para os bancos. Aliás, acrescenta, "disponibilizar todos os meios de pagamento custa à banca 1.300 milhões de euros por ano. E só recupera cerca de 70% desse valor".
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