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Autoridade da Concorrência quer que notícias falem bem de si

É uma meta escrita, preto no branco, nos seus objectivos anuais. A maior parte das notícias devem ser favoráveis à Autoridade da Concorrência. A entidade liderada por António Ferreira Gomes garante que não pretende com isso evitar informação negativa.

Miguel Baltazar/Negócios
Alexandra Machado amachado@negocios.pt 12 de Setembro de 2016 às 21:00
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A Autoridade da Concorrência (AdC) quer que quase todas as notícias que saem sobre si sejam positivas. Isso mesmo traçou como objectivo para 2015, pretendendo como meta que 85% das notícias que são publicadas sejam favoráveis. E diz que esse é um objectivo operacional por forma a melhorar a imagem da entidade liderada por António Ferreira Gomes.

No relatório de actividades referente a esse ano, publicado na última semana, a Autoridade da Concorrência acrescenta que "apenas 1 % das notícias foram classificadas como desfavoráveis, pela mesma entidade independente". Isto porque foi contratada uma consultora para fazer a análise. A AdC acrescenta que foram publicadas 3.962 notícias relacionadas com a actividade da supervisora da Concorrência durante 2015 em 204 meios de comunicação social de expansão nacional e regional, de internet, imprensa, televisão e rádio.

A Autoridade da Concorrência defende a existência deste objectivo, dizendo enquadrar-se na sua "política de total transparência e ‘accountability’ [prestação de contas] no relacionamento com os órgãos de comunicação social".

Fonte oficial, contactada pelo Negócios, diz, em respostas por e-mail, que "não se trata de condicionar a informação ou evitar informação negativa". Mas para esta entidade as notícias favoráveis são "um indicador de gestão que permite aferir a percepção e o impacto do trabalho desenvolvido, bem como a clareza da nossa comunicação, contribuindo para a missão de interesse público da AdC de disseminação de uma cultura de concorrência junto das empresas e cidadãos". Além disso, traçar esse objectivo "implica uma melhoria contínua da nossa actividade, para além de uma disponibilidade permanente no esclarecimento de dúvidas e resposta a questões".

Este objectivo de forma quantificada só começou a surgir nos planos de actividade em 2015. E consta também do plano para este ano, mantendo a percentagem de notícias favoráveis pretendidas.

António Ferreira Gomes faz precisamente esta semana três anos que está à frente da Autoridade da Concorrência. Entrou a 16 de Setembro de 2013. Em 2015, a AdC apurou um lucro de três milhões de euros, com rendimentos  de 19,28 milhões de euros, mais nove milhões ou 88% do que em 2014.
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