“Ter enquadramento legal da construção modular é importante, mas ter quem a queira é fundamental”
“Temos de enquadrar a construção industrial legalmente, financeiramente e estruturalmente e, ao mesmo tempo, procurarmos que os clientes adiram”, afirma António Ramalho no 54.º episódio do podcast Partida de Xadrez que vai para o ar esta segunda-feira no site do Negócios e nas principais plataformas.
Depois do ministro das Infraestruturas e da Habitação ter anunciado que será apresentado nas próximas semanas um pacote de medidas para regulamentar a construção modular, o gestor não tem dúvidas que “a falta de mão-de-obra e a exigência de maior eficiência - quer em tempo, quer em dinheiro - vai impor uma maior industrialização” e que “é só uma questão de tempo”.
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“Há a conjugação de três fatores que exigem uma leitura substancialmente diferente sobre a inovação tecnológica que a construção industrializada permite: existe uma necessidade de casas, essas casas têm que ser feitas com rapidez e o custo da mão-de-obra está a aumentar”, diz.
Para António Ramalho, “é a necessidade que está a justificar quer a inovação tecnológica por parte das empresas, quer as soluções de base jurídica, arquitetónica, operacional e financeira que venham a enquadrar esta atividade, que vai ser dominante no futuro”. Para já, Portugal não chega sequer aos 1% de construção industrializada que Espanha tem.
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Gonçalo Moura Martins concorda com as vantagens que estes processos têm ao nível dos custos da mão-de-.obra, mas explica, por outro lado, as limitações destes novos métodos construtivos. “Não se aplicam à reabilitação, só podem ser executados em terreno aberto por causa do transporte de grandes módulos e só pode ser aplicada a casas sem qualquer tipo de flexibilidade”, algo que “parece uma coisa pequena. mas não é”.
Como exemplo, refere que “uma casa modular são blocos em cima de blocos, em que o chão da casa de cima é o teto da casa de baixo, ou seja, toda a iluminação é de parede”. “São pequenos pormenores que fazem toda a diferença” e “o problema é se as pessoas querem este tipo de casas”, frisa.
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António Ramalho salienta que “a construção industrializada só funciona se tivermos escala e standartização, o que quer dizer que toda a gente vai ter a sala no mesmo sítio e não pode mudar as paredes e isso significa uma alteração substancial do lado do consumidor de casas”. “Ter enquadramento legal da construção modular é importante, mas ter quem a queira é fundamental”, diz.
Para Moura Martins, a legislação “tem que acolher o princípio de que a construção não é um protótipo único, mas tem que ser certificado como um produto”. “Se eu faço uma construção modular em que todas as casas são iguais eu só preciso ter uma declaração de um arquiteto na origem”, defende, frisando que “o planeamento e a decisão sobre o produto final tem que ser no momento zero, que é uma coisa que não acontece em Portugal”,
Os dois gestores concordam que este métodos construtivos ajudam a resolver os problemas da habitação no país e que “se o mercado der sinal de que vai crescer a oferta vai crescer muito rapidamente”.
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