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António Mota: "Nenhuma auto-estrada fugiu daqui para as Bahamas"

O empresário garante que a sede da Mota-Engil continuará em Portugal "enquanto for vivo" e justificou a criação de sub-holdings para as regiões da América Latina e África para "defender os resultados" do grupo.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 13 de Maio de 2014 às 11:27
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O presidente do conselho de administração da Mota-Engil atacou esta terça-feira os "grandes críticos" das obras públicas realizadas no País, que considerou serem "os mesmos que há vinte anos criticavam não haver infra-estruturas em Portugal". "Também nunca vi nenhuma auto-estrada a fugir daqui para as Bahamas. Estão cá todas, podem estar mais ocupadas ou não", acrescentou.

 

Durante um debate na Porto Business School, António Mota Mas avisou que as autoridades portuguesas não podem continuar a fazer "planeamento em cima do joelho", questionando "por que é que em meados dos anos 1980 andamos a fazer IP's e não se fizeram logo auto-estradas" e a justificação para se "continuar a gastar dinheiro" na linha do Norte - será alvo de nova intervenção -, argumentando que para os 900 comboios diários é preciso ter uma linha ao lado, que nem precisa de ser alta-velocidade.

 

Quem vier a seguir que faça o que quiser, comigo vai ser em Portugal. É aqui que se vão pagar os dividendos
 
António Mota

Já a sede da Mota-Engil, "ao contrário do que se diz, vai sempre ser em Portugal enquanto for vivo". "Quem vier a seguir que faça o que quiser, comigo vai ser em Portugal. É aqui que se vão pagar os dividendos", resumiu. A criação das sub-holdings - existe uma na América Latina com sede no México, a sub-holding de África vai ter sede em Amsterdão - é justificada com o facto de serem obrigados a pagar impostos nos países onde geram os resultados e esta ser a estratégia "mais fácil e economicamente mais viável para defender os resultados do grupo".

 

Uma solução que, concluiu, permite que depois "as exportações dos lucros para Portugal sejam menos tributado à cabeça" e que permite um maior apoio e financiamento da banca local, dado o objectivo de ele passar a ser feito essencialmente fora do País.

 

"Poucos empresários produtivos"

 

António Mota vê o sector da construção como um dos que mais exporta serviços - "nunca exportamos produto acabado, o problema estava resolvido se tivéssemos uma fábrica de estradas enroladas", brincou -, e que "está numa crise profundíssima em Portugal e ainda vai haver mais um conjunto de movimentos negativos" a nível interno.

 

"Temos pessoal extremamente produtivo mas se calhar temos poucos empresários produtivos. Se calhar do que precisamos é de formação empresarial. E é preciso capitalizar as empresas, não é emprestar dinheiro. As grandes empresas resolvam o assunto se houver IDE ou bons impostos, mas é preciso recapitalizar as empresas que sejam relativamente fáceis de recuperar, dar-lhes melhor capacidade. Da parte do Estado e da parte da banca é preciso muita atenção a isto", sustentou o empresário nortenho.

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