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Autarca alentejano diz ser "grave e incompreensível" o "problema" com projecto de Roquette

O autarca de Reguengos de Monsaraz, concelho para onde estava previsto o complexo turístico liderado por José Roquette, considerou hoje "grave" e "incompreensível" o "problema" que motivou o pedido de insolvência das empresas ligadas ao projecto.

Lusa 08 de Agosto de 2012 às 17:05
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"É um problema grave e incompreensível, face aos desenvolvimentos recentes que o poder político teve perante este projecto, que foram positivos, com a declaração de 'Interesse Estratégico Nacional'. Mas, de um momento para o outro, mudou-se de opinião", lamentou José Calixto.

O presidente socialista do Município de Reguengos de Monsaraz reagia, em declarações à Agência Lusa, à revelação feita hoje pela Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações (SAIP), promotora do projecto Roncão d'El Rei, sobre a entrega em tribunal do pedido de insolvência.

O grupo SAIP, liderado pelo empresário José Roquette, justifica o processo de insolvência com a falta de financiamento da banca, criticando a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Lembrando que este era "o projecto âncora" do destino turístico do Alqueva, o autarca José Calixto frisou que são "seis anos de trabalho, e para o promotor até mais", que vão "por água abaixo".

"É um pouco o resultado da falta de agenda política em termos de desenvolvimento regional e de emprego", criticou, realçando que o complexo "tem impactos muito grandes" nas duas áreas, perdendo-se agora "mais de uma centena de empregos já criados" e, ao longo desta primeira fase das obras, "centenas" de postos de trabalho.

O promotor, explicou, "não sendo o projecto financiável pelo banco do Estado, não tem condições para ter um conjunto de encargos de centenas de milhares de euros por mês sem garantir o sucesso" do investimento.

"No final, pura e simplesmente, fomos abandonados na praia", frisou, deixando o desafio: "Nós temos que deixar de viver de projectos e passar a viver de obra feita".

E, em relação a este projecto do Roncão d'El Rei, "que por acaso era o único que já tinha obra feita [com construção do campo de golfe], se calhar com algumas dezenas de milhões de euros no terreno", os analistas da banca poderiam ter tido outra atenção.

"Os analistas de crédito poderiam ter vindo ver qual a potencialidade dessa obra que já está feita e da obra que se prevê. Mas isso não aconteceu", lamentou.

Afirmando ainda acreditar que, apesar do pedido de insolvência da SAIP, as dificuldades dos promotores "ainda possam ser ultrapassadas", José Calixto frisou que "o que fica em causa é a riqueza nacional".

"Um processo de insolvência vai, obviamente, criar menor valia num banco público, como a CGD, num banco privado e no próprio promotor e essas menos valias, em parte, também são pagas por todos nós", realçou.

Quanto ao Alqueva enquanto destino turístico, o autarca argumentou que não está em causa: "Acredito no destino e na viabilidade deste tipo de projectos", disse, garantindo que também "os outros promotores acreditam".

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