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Com Túnel do Marão, Porto-Bragança por auto-estrada vai custar 7,30 euros

Sete anos depois do arranque da obra, a Autoestrada do Marão vai abrir ao trânsito às 00:00 de domingo.

Lusa 05 de Maio de 2016 às 07:27
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A Autoestrada do Marão possui 30 quilómetros, 5,6 por túnel e 12 viadutos, e conclui a ligação por autoestrada (A4) entre o Porto e a fronteira, em Bragança, de 200 quilómetros e 7,30 euros de portagem.

Sete anos depois do arranque da obra, a Autoestrada do Marão vai abrir ao trânsito às 00:00 de domingo.

A nova autoestrada, construída entre Vila Real e Amarante, visa contribuir para o desenvolvimento de Trás-os-Montes e do Douro, garantir a mobilidade em melhores condições e segurança e contribuir para a redução dos tempos de percurso entre o interior e o litoral e da sinistralidade rodoviária.

Esta via apresenta-se como alternativa ao Itinerário Principal 4 (IP4), um traçado de montanha que foi palco de muitos e graves acidentes.

Com quase 30 quilómetros, a nova autoestrada inclui um túnel rodoviário com 5,6 quilómetros e ainda 12 viadutos, o maior dos quais com 913 metros de extensão e 120 metros de altura.

Ao longo do traçado foram ainda construídas cinco passagens de fauna e plantadas cerca de 700 árvores.

O empreendimento possui três nós de ligação, sendo que o pórtico de cobrança de portagens está instalado perto do nó da Campeã, no concelho de Vila Real.

Percorrer o túnel, em situação normal de circulação, demora cerca de quatro minutos e vai custar 1,95 euros (veículos classe 1), 3,40 euros (classe 2), 4,40 euros (classe 3) e 4,90 euros (classe 4).

Nesta autoestrada, vão aplicar-se os descontos praticados nas ex SCUT, nomeadamente para os veículos de mercadorias 10% no período diurno, 25 % no período nocturno, fins de semana e feriados.

Os motociclos terão um desconto de 30% (com utilização de dispositivo electrónico).

O preço da portagem previsto para a Autoestrada do Marão, aquando do arranque da obra há sete anos, era de cerca de três euros. 

Túnel do Marão empregou mais de mil trabalhadores no pico da construção

O Túnel do Marão deu emprego, clientes às localidades envolventes, vai agora encurtar distâncias para utentes que se desloquem entre o litoral e o interior e espera-se que ajude a fixar empresas e promover o turismo.

 

Em pico de obra chegaram a trabalhar na Autoestrada do Marão, entre Vila Real e Amarante, cerca de 1.200 trabalhadores. Muitos vieram de fora, mas outros da região encontraram nesta obra uma oportunidade de emprego.

 

Residente da Campeã, Vila Real, mesmo ao lado do túnel, Mário André, topógrafo de 29 anos, trabalhou no empreendimento e está agora no desemprego e à espera de uma nova oportunidade de trabalho. A emigração é uma viagem que, para já, não quer fazer.

 

Alcides Magalhães, proprietário de um posto de combustível também nesta localidade, teve durante os últimos anos como principal cliente a autoestrada, fazendo os abastecimentos das máquinas.

 

"O recorde de abastecimento foram 74 máquinas num dia", contou à Lusa.

 

É verdade que se sabia que esta era uma oportunidade de negócio provisória, mas o empresário diz que "custa aceitar" que a obra está a acabar.

 

E agora, para cá do Marão, a expectativa é muita em relação à nova via que rasga a serra e aproxima este território do litoral, servindo de alternativa ao sinuoso Itinerário Principal 4 (IP4).

 

Para o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, "esta infraestrutura acaba com a barreira mítica do Marão, uma barreira que era física mas também era muito psicológica".

 

E eliminar esta barreira vai permitir fazer a viagem de Trás-os-Montes para a zona do Porto pelo menos 20 minutos mais rapidamente e em maior segurança.

 

Uma "grande vantagem" para quem tem que fazer deslocações diariamente.

 

Alguns utentes diários e empresários contactados pela agência Lusa já disseram que vão optar pelo túnel, apesar da portagem que vai dos 1,95 euros para veículos classe 1 aos 4,90 para os de classe 4.

 

Luís Tão, presidente da Associação Empresarial de Vila Real - Nervir, criticou a introdução de portagens e defendeu que a região devia "ficar isenta pelo período equivalente ao atraso que possui em relação ao resto do país".

 

No entanto, sublinhou que a "competitividade das empresas e o desenvolvimento da região é impossível sem autoestradas" e, por isso mesmo, espera que a nova via ajude a "estancar a saída de pessoas e seja mais um argumento para fixar empresas".

 

Já o presidente da Turismo do Porto e Norte, Melchior Moreira, salientou as possibilidades que o novo empreendimento representa para o setor do turismo e destacou a "aproximação maior, mais segura e mais célere, entre a maior porta de entrada de turistas na região, o aeroporto Francisco Sá Carneiro, e o Douro e Trás-os-Montes".

 

"São sete milhões de visitantes que anualmente ali desembarcam que passam a ter uma ligação privilegiada a todo um destino. É, definitivamente, um grande passo no combate às assimetrias regionais e que a juntar-se à autoestrada de Madrid e ao TGV coloca o Douro e Trás-os-Montes na linha da frente na recepção aos fluxos de turistas", frisou o responsável.

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