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Construtoras preocupadas com atrasos nas grandes obras

As construtoras portuguesas acreditaram que as grandes obras da ferrovia, metros, portos e hospitais iriam este ano sair do papel, mas apesar da catadupa de anúncios em janeiro os projetos continuaram a derrapar. Conheça os últimos desenvolvimentos.

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Maria João Babo mbabo@negocios.pt 08 de Novembro de 2019 às 14:24
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Metro de Lisboa derrapa para 2024

Metro de Lisboa derrapa para 2024
O projeto de expansão da rede do metro de Lisboa, com a construção de duas novas estações em Santos e na Estrela, foi anunciado em maio de 2017. A luz verde ambiental foi dada em novembro de 2018 e o concurso acabou por ser lançado apenas em janeiro passado, altura em que o ministro do Ambiente garantia que as obras arrancariam ainda em 2019 e que em finais de 2022 ou início de 2023 a nova linha estaria disponível. O Metro assumia também a intenção de em meados de abril ter início a fase de apresentação de propostas, mas essa data passou primeiro para agosto e, mais tarde, para 18 de dezembro, sendo já certo que a obra não estará pronta antes de 2024.

210
Linha circular
A expansão do metro vai custar 210 milhões.

Confiamos que no final de 2022 esta obra vai estar ao serviço de todos os lisboetas e de todos os que procuram Lisboa. Matos fernandes
Ministro do Ambiente, em janeiro de 2019

Propostas para hospital em avaliação

Propostas para hospital em avaliação
O projeto para o novo Hospital Lisboa Oriental foi apresentado em julho de 2017, com uma calendarização que ditava que o lançamento do concurso tivesse lugar ainda nesse ano, a apresentação de propostas em fevereiro de 2018, a seleção do vencedor em julho de 2019 e o início da obra no próximo mês de dezembro, de forma a que a abertura da nova unidade acontecesse em 2022. Só que a entrega das propostas aconteceu um ano depois do previsto, a 31 de janeiro passado, após vários adiamentos. E nove meses depois a fase de avaliação das propostas para esta obra, que vai exigir um investimento da ordem dos 330 milhões de euros, ainda decorre.

330
Hospital
São oito concorrentes à obra de 330 milhões.

Se não existirem nenhumas dificuldades imprevistas, teremos em 2022 em Lisboa aquilo que é sonho de várias gerações. Adalberto Campos Fernandes
Ex-ministro da Saúde, em novembro de 2017

Linha de Évora já devia estar feita

Linha de Évora já devia estar feita
Menos de um mês e meio depois de chegar ao Ministério das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos assumia: "Estamos muito atrasados em obras do Ferrovia 2020". O programa que prevê um investimento de 2 mil milhões de euros na ferrovia foi apresentado em fevereiro de 2016, mas acabou por ser vítima da sua ambição. A nova linha Évora-Elvas, a que o Governo chamou de "a maior obra ferroviária dos últimos 100 anos", é exemplo do atraso face à calendarização. O plano previa que a contratação fosse feita em 2017 e a construção se iniciasse no primeiro trimestre de 2018 para ficar pronta no terceiro trimestre de 2019, mas só agora arrancaram as obras.

2.000
Programa
O Ferrovia 2020 está orçado em 2 mil milhões.

2018 é o ano em que o Plano Ferrovia 2020 entra em velocidade de cruzeiro. antónio costa
Primeiro-ministro, em março de 2018

Metro do Porto passa para 2023

Metro do Porto passa para 2023
Os atrasos no projeto de expansão do metro do Porto são menos expressivos do que noutras obras. Mas a verdade é que em fevereiro de 2017 previa-se o lançamento dos concursos de construção das novas linhas em maio de 2018 e a adjudicação das empreitadas em dezembro desse ano, de forma a que as obras começassem em 2019 para serem concluídas em 2021. O concurso para este investimento de 307 milhões acabou por avançar apenas em abril deste ano, sendo que ainda falta a Metro do Porto convidar os qualificados a apresentarem propostas para, este ano, poder escolher o vencedor. As obras devem arrancar em 2020 e ficar concluídas em 2023.

307
Metro do Porto
A expansão da rede irá custar 307 milhões.

As duas novas ligações no Porto e em Gaia serão construídas até 2021. matos fernandes
Ministro do Ambiente, em fevereiro de 2017 

Projetos

Investimentos de privados também tardam

O aeroporto complementar do Montijo e o terminal Vasco de Gama são dois dos grandes projetos previstos que irão ser suportados por privados. Apesar de serem falados há muito, o primeiro acabou de obter luz verde ambiental, ainda que com condições. Já o segundo só viu lançado o concurso público há menos de um mês. 

Aeroporto do Montijo já teve ok

Aeroporto do Montijo já teve ok
O ano de 2022 para a entrada em funcionamento do aeroporto do Montijo já não será uma possibilidade, até porque a ANA diz necessitar de 36 meses após a emissão da DIA (Declaração de Impacte Ambiental) e da revisão do contrato de concessão para concretizar a solução. Estado e ANA assinaram em janeiro o acordo com esse objetivo, mas a avaliação ambiental ditou atrasos, até porque o primeiro estudo entregue em 2018 não estava em conformidade. No fim de outubro a Agência Portuguesa do Ambiente aprovou o projeto mas impôs condições de 48 milhões. A ANA ainda vai pronunciar-se.

520
Montijo
A ANA vai investir 1,15 mil milhões em Lisboa, sendo 520 no Montijo.

A perspetiva é que a solução para o aumento do tráfego comece a ser implementada no próximo ano, [...] esteja concluída em 2021, para que possa estar disponível em 2022. pedro marques
Ex-ministro das Infraestruturas, em novembro de 2018

Terminal Vasco da Gama a concurso

Terminal Vasco da Gama a concurso
Foi dias antes de deixar o Ministério de Mar que Ana Paula Vitorino viu lançado o concurso para o terminal Vasco da Gama, em Sines, um investimento de 642 milhões de euros. O concurso esteve previsto para 2018, mas Ana Paula Vitorino ainda admitiu antecipar essa data para 2017. Nenhuma das duas aconteceu. No âmbito da avaliação de impacte ambiental, a APA exigiu elementos complementares e a DIA, que a ministra esperava para maio de 2018, só chegou em fevereiro passado. Agora, os interessados têm nove meses para entregar as propostas.

642
Vasco da Gama
O novo terminal de Sines exige 642 milhões a privados.

A expectativa é que a declaração de impacte ambiental seja emitida a 27 de maio [de 2018]. Assim que seja emitida será imediatamente lançado o concurso. Ana Paula Vitorino
Ex-ministra do Mar, em março de 2018
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