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Obras internacionais da Mota financiam-se lá fora

Accionistas aprovam política de dividendos e autorizam emissão de obrigações até 400 milhões de euros

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 18 de Abril de 2012 às 00:01
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As equipas internacionais da Mota-Engil já sabem que os projectos só devem avançar caso esteja garantido o financiamento através das instituições financeiras nesses países. Em busca da redução do endividamento, esta directriz já foi transmitida a todo o grupo, que ontem, em assembleia-geral, aprovou as contas de 2011, o pagamento de dividendo de 11 cêntimos por acção e autorizou também a emissão de um empréstimo obrigacionista até 400 milhões de euros "para, se as condições de mercado permitirem melhores condições, poder ser utilizado".

Durante a tarde de ontem, a Lusa publicou uma entrevista em que o CEO, Jorge Coelho, falou na revisão em curso do plano estratégico (2008-2013) da construtora, que, além de passar a ter como "regra" só apostar em países com crescimento superior a 5%, vai também a questão financeira "para primeiro lugar nos objectivos estratégicos", visando reduzir o endividamento. A Mota-Engil tem "uma dívida exagerada no mercado nacional em relação à sua actividade e uma parte dessa dívida tem de ser transferida para a actividade em cada um dos mercados onde está a trabalhar", sintetizou.

Horas depois, no final da AG de accionistas, no Porto, o presidente do conselho de administração, António Mota, confirmou que "a política neste momento é criar ‘sub-holdings’ nas várias regiões para ter melhor acesso à banca em cada uma das regiões". Uma medida justificada com as dificuldades de financiamento em Portugal, que disse esperar que sejam "ultrapassadas rapidamente".

Mas não é só no plano estritamente financeiro que a empresa está a afastar-se de Portugal. Exposta ao sector da construção – "em crise há sete anos" – António Mota espera que os mercados internacionais garantam o crescimento que não consegue por cá, onde "só a partir de 2013 ou 2014 haverá condições para melhorar". "A tendência em 2012 será para que fique mais internacional", frisou, até porque as privatizações na área do ambiente, que poderiam interessar às participadas, "não estão ainda anunciadas". Este posicionamento faz que a Mota seja "provavelmente o maior empregador de portugueses no estrangeiro". São quase mil, contabilizou, em contraste com a redução dos que trabalham em Portugal.

"À vontade" no inquérito às PPP

António Mota disse estar "completamente à vontade" antes da investigação parlamentar às PPP (parcerias publico-privadas) rodoviárias e ferroviárias. Tendo o Parlamento "todo o direito e obrigação de fazer as comissões de inquérito que quiser", que os deputados "terão as respostas às questões que fizerem". Já sobre as negociações com o Estado relativas às concessões rodoviárias em que actua em consórcio com o BES, na Ascendi, Mota disse apenas estar "a aguardar a evolução".
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