Construção Odebrecht pede proteção contra credores

Odebrecht pede proteção contra credores

A Odebrecht, construtora brasileira envolvida no escândalo Lava Jato, pediu em tribunal proteção contra credores, visando reestruturar 11,6 mil milhões de euros de dívida.
Odebrecht pede proteção contra credores
Reuters
Negócios 17 de junho de 2019 às 22:53

Já se tinha voltado hoje a falar nessa possibilidade, e foi agora confirmada pelas agências noticiosas Reuters e Bloomberg: a Odebrecht pediu proteção contra credores ao abrigo da lei de falências. O pedido foi feito em tribunal e a construtora brasileira visa reestruturar 51 mil milhões de reais (11,6 mil milhões de euros) de dívida.

 

A empresa, envolvida no escândalo de corrupção Lava Jato, há muito que se debate com problemas de financiamento, tendo mesmo já vendido ativos para escapar a um processo de incumprimento. Mas não foi suficiente e agora recorreu à justiça na tentativa de conseguir reestruturar a sua dívida.

Esta será uma das maiores reestruturações de dívida por via da justiça na América Latina, sublinha a Reuters.

As obrigações emitidas pela Odebrecht têm negociado há bastante tempo em níveis muito baixos, com a dívida perpétua a transacionar atualmente em torno dos 6 cêntimos de dólar.

Na passada sexta-feira, 14 de junho, a Caixa Econômica Federal, um dos grandes credores da Odebrecht, deu andamento à execução de garantias de dívidas da construtora, apurou o Estadão/Broadcast.

 

As garantias que estão a ser executadas, declararam três fontes ao Estadão/Broadcast, estão relacionadas com dívidas do Itaquerão, estádio do Corinthians. A Bloomberg, por seu lado, indica que a Caixa Econômica Federal executou já as garantias sobre o estádio de futebol Arena Corinthians, desencadeando assim um "default cruzado".

No dia 4 de junho terminaram, sem acordo, as conversações para a venda da posição maioritária da Odebrecht na Braskem, que é vista como a jóia da coroa para o conglomerado da construção, do petróleo e do gás. Este negócio poderia ter trazido a tão necessária injecção de dinheiro no grupo, frisa a Bloomberg.

 

"A execução [de garantias de dívidas da construtora] corre em segredo de Justiça, como desdobramento da pressão que o banco público tem vindo a fazer contra o grupo desde o pedido de recuperação judicial da Atvos, seu braço de açúcar e álcool", segundo o Estadão/Broadcast.

 

A mesma fonte brasileira salientou que a empresa tem dívidas de 70 mil milhões de reais (16 mil milhões de euros) e que começou a ficar "sem opções para escapar a uma recuperação judicial – processo que os executivos e acionistas do grupo têm evitado ao máximo".

Uma outra recuperação judicial de envergadura é a da operadora brasileira Oi, detida em cerca de 5% pela Pharol.




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