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Bancos emprestam às famílias valor mais elevado desde Dezembro

Crédito à economia cresceu quase 30%, em Outubro. Empresas absorveram 4,7 mil milhões de euros.

Reuters
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt | Paulo Moutinho 19 de Dezembro de 2013 às 12:01
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Outubro foi um mês de crescimento de crédito em Portugal. No total, os bancos emprestaram mais de 5,3 mil milhões de euros à economia nacional, um aumento homólogo de praticamente 30%. A maior "fatia" deste "bolo" coube, como é habitual, às empresas, nomeadamente às grandes. Para as famílias foram canalizados 612 milhões de euros, o que corresponde ao valor mais elevado registado desde Dezembro de 2012.

Observou-se, em Outubro, um aumento mensal de 20,2%, o maior desde Julho de 2012, no crédito concedido às famílias. Em termos homólogos o crescimento foi de 14,18%, o maior desde Março de 2012, de acordo com os dados estatísticos provisórios divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal. Uma evolução que "poderá ser apenas temporária", nota Paula Carvalho, economista-chefe do BPI, recordando que no acumulado do ano o montante concedido apresenta uma quebra homóloga de 16,3%.

Para o crescimento registado em Outubro contribuíram essencialmente os créditos concedidos para outros fins, onde se inclui a educação, a energia e os financiamentos solicitados pelos empresários por conta própria, que registaram um aumento de 161 milhões, em Setembro, para 225 milhões de euros, em Outubro. O crédito ao consumo, muitas vezes utilizado na aquisição de automóveis (cujas vendas têm vindo a crescer nos últimos meses), também cresceu. Passou de 183 para 195 milhões de euros, segundo os dados do Banco de Portugal.

O valor destinado para a compra de habitação própria registou também uma evolução favorável. Para este fim, os bancos emprestaram um valor de 192 milhões de euros às famílias em Outubro, acima dos 165 milhões de Setembro. É um valor que continua bastante aquém dos 1,5 mil milhões concedidos em média todos os meses antes do início da crise financeira. Mas supera em mais de 20% o montante concedido pelas instituições financeira há um ano: 156 milhões de euros.

Empresas com a maior "fatia"

As empresas continuam a absorver a maior fatia dos novos financiamentos, captando 4.763 milhões de euros em novos financiamentos. Quando comparado com o período homólogo o aumento foi de 31,2%, ou 1,1 mil milhões de euros. Na repartição dos créditos entre grandes e pequenas empresas, as primeiras, captaram a maior parte dos recursos: 3,09 mil milhões de euros, um aumento homólogo de 58,8% que contrasta com uma quebra ligeira, de 0,7%, nos financiamentos às pequenas e médias empresas (para 1.668 milhões de euros).

"Embora seja desejável que empresas viáveis tenham maior facilidade no acesso ao financiamento, repare-se que os níveis de endividamento continuam elevados, os progressos na desalavancagem foram diminutos", salienta a economista-chefe do BPI, em declarações ao Negócios. "Além de que as empresas continuam com o financiamento muito concentrado em recurso a capitais alheios, sendo desejável diversificação das fontes de financiamento", remata Paula Carvalho. 

 

(Texto publicado inicialmente a 10 de Dezembro, dia em que foram publicados os dados estatísticos no BPStat)

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