Banca & Finanças 64 reuniões e 2.081 perguntas depois, não houve comprador para o Novo Banco

64 reuniões e 2.081 perguntas depois, não houve comprador para o Novo Banco

O Banco de Portugal disponibilizou dados sobre o processo de venda do Novo Banco. Anbang, Apollo, Cerberus, Fosun e Santander tiveram acesso a 34.119 documentos sobre a realidade da instituição financeira.
64 reuniões e 2.081 perguntas depois, não houve comprador para o Novo Banco
Reuters
Diogo Cavaleiro 20 de setembro de 2015 às 22:00

34.119. É este o número de documentos disponibilizados pelo Banco de Portugal aos cinco últimos potenciais compradores do Novo Banco no processo de venda. O acesso ao sistema virtual de consulta de informação sobre o banco não facilitou o sucesso da operação, que foi cancelada esta semana.

 

Além dos mais de 30 mil documentos disponibilizados, há mais dados sobre os processos de "due dilligence", em que os cinco candidatos a compradores do Novo Banco puderam ter acesso a informação mais pormenorizadas sobre o banco, como indica uma síntese do procedimento divulgada pelo Banco de Portugal.

 

Foram colocadas 2.081 perguntas por parte dos cinco concorrentes (Anbang, Apollo, Cerberus, Fosun e Santander), sendo que o Negócios já tinha noticiado que o grupo segurador chinês Anbang e o banco espanhol foram os que mais questões colocaram.

 

Os candidatos tiveram cinco reuniões com o conselho de administração do Novo Banco e 59 encontros com directores e com os quadros de topo da instituição financeira durante este processo de auditoria específica, segundo a mesma fonte. 

 

Dos cinco candidatos, apenas três entregaram propostas vinculativas: Anbang, Apollo e Fosun. "Concluiu-se que todas incorporavam níveis de incerteza elevados quanto ao efectivo valor a receber pelo Fundo de Resolução aquando da conclusão do negócio e na sequência da venda. Nenhuma permitiria ao Fundo de Resolução proceder ao reembolso imediato dos empréstimos que recebeu. Pelo nível de preço oferecido e pelo risco que comportavam para o Fundo de Resolução, considerou-se que as propostas não podiam ainda considerar-se satisfatórias", indica o documento.

 

Foi por esse motivo que o Banco de Portugal convidou as entidades a melhorarem as suas propostas: "Foi entregue no Fundo de Resolução uma proposta vinculativa revista. Um potencial comprador apenas reiterou formalmente a sua proposta vinculativa e o terceiro não apresentou qualquer comunicação formal". A Apollo foi a única que melhorou a oferta, ainda que insuficiente para apresentar uma proposta que fosse considerada pelo regulador como mais atractiva financeiramente. A Anbang foi a primeira com que a equipa de Carlos Costa quis negociar, seguindo-se a Fosun e, só depois, a Apollo. 

 

Esse último procedimento de negociações exclusivas não foi suficiente para agradar o regulador do sector financeiro. Sem melhorias adicionais das propostas, o procedimento foi cancelado esta semana.


O Banco de Portugal cancelou o concurso, onde trabalhou com o BNP Paribas, pelas incertezas advindas, entre outros, pelo facto de não se conhecerem os resultados dos testes de stress e da análise individual (SREP) a serem concluídos pelo Banco Central Europeu. Depois disso, é intenção retomar o processo, embora já sem que seja obrigatório vender a totalidade do capital.




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