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“A Soares da Costa pode ser um consolidador no sector da Construção”

António Bernardo, “Managing partner” da Roland Berger

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Tem de haver mais consolidação no sector da Construção?

Na área da construção tem de haver mais concentração e consolidação. Não é possível ser um "player" competitivo sem internacionalização. Na construção há dois movimentos importantes: internacionalização e diversificação. Mas, atenção, esta diversificação tem que ser relacionada com o core-business: diversificação que deve dar a possibilidade de fazer mais obras. Além de entrar num novo negócio, estou a ser fornecedor desse negócio. Por exemplo, eu entro no metro de Telavive e vou construir. Tenho de arranjar negócios que me alisem os meus picos de EBITDA. Negócios que me façam quase de contra-ciclo, que amortizem a volatilidade e esse EBITDA. Esses negócios são, por exemplo, as concessões, pois têm riscos de médio longo prazo e receitas mais ou menos garantidas. E se, através dessas concessões, angariar mais negócio, melhor ainda. Hoje, as empresas de construção têm de seguir maior internacionalização e diversificação e isso só é possível com consolidação.

As empresas portuguesas sofreram descapitalização...

Em Portugal, muitas empresas descapitalizaram porque durante muitos, houve nesta indústria um excesso de capacidade instalada. Como o investimento baixou, muitas empresas saíram do mercado. Então há muitas empresas cuja capitalização foi reduzindo. Não imagina a diferença entre preço base que os concursos públicos faziam e, depois, os preços de adjudicação. Andou na casa dos 10 a 15% abaixo do preço base. Isto é completamente suicida. Compare isto com Espanha, onde as empresas são a referência. Espanha era um país com poucas empresas e, em 20 anos, construiu um conjunto de sectores que hoje são dos mais competitivos a nível mundial. E este é um deles. Os espanhóis conseguiram manter níveis razoáveis de preços. Os fundos comunitários foram bem utilizados, o seu mercado foi protegido – quantas empresas estrangeiras de construção existem em Espanha? Não existem. E não diminuíram a concorrência entre os "players" no mercado. E hoje são lideres mundiais. Em Portugal, nós estamos habituados a que, quando existe protecção, há diminuição da concorrência.

Quem serão os consolidadores em Portugal?

A Soares da Costa pode ser um consolidador. Foi a grande estrela em termos de performance de mercados de capitais este ano. Tiro o chapéu a Pedro Gonçalves, um executivo jovem "low-profile", que se mostrou fantástico na criação de valor ao accionista. A Mota-Engil é um "case study" quer no processo de fusão – um dos melhores casos em Portugal e mesmo em termos ibéricos – quer na capacidade de internacionalização e aquisição. A Mota-Engil, eventualmente

E, depois, há empresas de dimensão média que ainda podem vir a ser consolidadas como a Edifer e a OPCA. E não tem que haver um consolidado e outro consolidador. Se calhar juntam-se. Além disso, existem mercados em Portugal que se fossem desenvolvidos poderiam fortalecer o sector da construção, tal como o mercado do ambiente.

Acha que este sector é um diamante em bruto?

Não acho que seja um diamante, mas uma pedra semi-preciosa. Acho é que se pode tornar uma pedra mais preciosa. A Mota-Engil e a Soares da Costa são bons exemplos. Pode haver ainda mais players especializados. Vamos ver que influência é que a recessão do mercado imobiliário em Espanha pode ter sobre as nossas pequenas e médias empresas.

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