Empresas Álvaro Sobrinho vai deixar de ser CEO do BES Angola

Álvaro Sobrinho vai deixar de ser CEO do BES Angola

Banqueiro, envolvido em polémicas em Portugal, passará a "chairman". Lugar de CEO será ocupado por Rui Guerra.
Celso Filipe 16 de outubro de 2012 às 00:01
Álvaro Sobrinho vai abandonar o cargo de presidente-executivo (CEO) do Banco Espírito Santo Angola (BESA). O gestor, que esteve envolvido em Portugal numa investigação relativa a branqueamento de capitais, irá manter-se no banco com as funções de presidente não executivo do banco, soube o Negócios junto de fonte angolana.

Sobrinho será substituído por Rui Guerra, quadro do banco, uma mudança que será consumada durante a assembleia-geral do BESA que irá decorrer, a 6 de Novembro, em Luanda, capital de Angola. O BES Angola tem como accionistas de referência o BES, com 51,49% e os angolanos da Portmill e a Geni, detentores de 24% e 18,99% do capital, respectivamente. A Portmill é controlada por figuras próximas do general Hélder Vieira Dias ("Kopelipa"), chefe da Casa Militar de Eduardo dos Santos. Já o grupo Geni é dominado por Isabel dos Santos.

Enquanto "chairman" (presidente não executivo) do BESA, Álvaro Sobrinho vai ter a seu cargo a aplicação do plano estratégico de desenvolvimento do banco durante o próximo triénio, o qual tem vindo a ser desenhado pela consultora McKinsey. Este plano aposta na ampliação da rede de balcões e no alargamento da cobertura geográfica do banco, assim como no aumento da sua base de clientes particulares.

Sai Sobrinho, entra Madaleno

Álvaro Sobrinho era até Julho, presidente da Newshold, "holding" com sede no Panamá que controla o semanário "Sol" e detém 15% da Cofina, proprietária do Negócios. A partir daí foi substituído na liderança pelo irmão, Sílvio Madaleno. Esta empresa viu-se envolvida em polémica, tanto pela sua presumível estratégia de controlo da comunicação social portuguesa, como pelo facto de uma sua administradora, Ana Bruno, ter sido apontada como suspeita numa rede de lavagem de dinheiro liderada pelo suíço Michael Canals.

Álvaro Sobrinho, por sua vez, tem vindo a recuperar em Tribunal todas as restrições que lhe foram aplicadas no âmbito de uma investigação sobre branqueamento de capitais e associação criminosa. Em Agosto último, conseguiu que o Tribunal da Relação ordenasse que cinco casas lhe fossem devolvidas. Antes já tinha visto a Relação dar-lhe razão, revogando a caução de 500 mil euros que lhe havia sido aplicada, assim como descongelando as suas contas bancárias.


A reorganização do BESA vai implicar, em paralelo, mexidas na sua administração. Uma das suas saídas já confirmadas é a de Hélder Bataglia, que ocupava funções executivas no banco. O empresário, contactado pelo Negócios, explicou que foi ele próprio a solicitar a não renovação do mandato. "Já tenho 65 anos, preciso de fazer as coisas de que gosto mais e de estar mais tempo com a família", comentou. Hélder Bataglia é presidente da Escom, empresa que o Grupo Espírito Santo vendeu à Sonangol, embora o processo não esteja ainda finalizado.