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The Guardian: Agente Jorge Mendes pode ter violado regulamentos da FIFA

Jorge Mendes pode ter violado os regulamentos da FIFA porque actua como agente dos jogadores cujos direitos são detidos por vários fundos que aconselha, criando assim um conflito de interesses, segundo o jornal inglês.

Reuters
Negócios 22 de Setembro de 2014 às 22:31
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O agente de futebol Jorge Mendes pode ter violado alguns regulamentos da FIFA, avança o jornal inglês The Guardian esta segunda-feira, 22 de Setembro.

 

Jorge Mendes e Peter Kenyon - antigo director executivo do Manchester United e do Chelsea - aconselham cinco fundos com mais de 100 milhões de euros para investir em direitos económicos de jogadores.

 

O agente pode estar em violação dos regulamentos da FIFA porque actua como agente dos jogadores cujos direitos são detidos pelos fundos que o português aconselha.

 

Num artigo intitulado "Jorge Mendes: o homem mais poderoso no futebol?", o jornal inglês diz que Mendes "além de agir como agente" e "de ser pago por clubes como um "intermediário" de transferências" está "seriamente envolvido com Kenyon no aconselhamente na propriedade de terceiros de direitos económicos de jogadores".

 

O The Guardian cita um documento, um prospecto de 2012 que procurava angariar 85 milhões de euros para comprar parcelas de jogadores através do paraíso fiscal de Gibraltar, para um fundo chamado Quality Sports V Investments LP, registado noutro paraíso fiscal, a ilha de Jersey no Reino Unido.

 

O objectivo depois seria movimentar o dinheiro para a empresa Quality Football Ireland IV Limited, registada na Irlanda, que iria proceder à compra dos jogadores.

 

Segundo o prospecto, outros quatro fundos estão a investir na compra de direitos de jogadores, todos sedeados em Jersey.

 

O prospecto do fundo Quality Sports V Investment aborda a questão dos conflitos de interesse."O Fundo está sujeito a um número de actuais e potenciais conflitos de interesse", aponta o prospecto.

 

Um desses conflitos deve-se ao facto de Jorge Mendes agir como agente dos jogadores cujas parcelas são compradas pelo fundo. "Jorge Mendes (quer directamente ou através dos veículos corporativos) age ou pode agir como agente para - ou de outra forma representa ou pode representar -alguns dos jogadores investidos ou potenciais jogadores investidos, e pode ser remunerado independentemente dessa capacidade".

 

Segundo o The Guardia, isto pode fazer com que o "mais celebrado super-agente do mundo" esteja em violação do regulamento 19.8 da FIFA: "Os agentes dos jogadores devem evitar todos os conflitos de interesse no decurso da sua actividade".

 

O regulamento 29.1 impõe uma obrigação aos clubes de não pagar qualquer parte de uma transferência de um jogador a um agente, e proibe especificamente o agente de "deter qualquer interesse em qualquer transferência ou futuro valor de transferência de um jogador", aponta o jornal.


O prospecto revela também os negócios feitos por Jorge Mendes na década entre 2001 e 2010 no futebol português. Olhando para os três grandes, Jorge Mendes foi responsável por 68% do valor das transferências nos três grandes do futebol português.

 

No Sporting realizou 78% do total de 88 milhões arrecadados em receitas nesse período. No Benfica, o agente foi responsável por 51% dos 107 milhões de euros de transferências. No Porto, esta percentagem chega aos 70% do total de transferências realizadas entre 2001 e 2010, que alcançaram os 340 milhões de euros.

 

A propriedade de terceiros está banida na Premier League inglesa e é condenada pela UEFA.

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