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Analistas apreensivos com alterações na gestão do BCP; baixam estimativas

A demissão de quatro administradores do BCP no espaço de um mês gerou apreensão entre vários analistas, que reviram também em baixa as previsões de lucros do banco, devido às alterações contabilísticas.

João Mata 09 de Janeiro de 2002 às 14:39
A demissão de quatro administradores do Banco Comercial Português (BCP) no espaço de um mês gerou apreensão entre vários analistas, que reviram também em baixa as previsões de lucros do banco, devido às alterações contabilísticas anunciadas ontem.

O BCP confirmou ontem que Miguel Cadilhe, Rui Barata e Líbano Monteiro apresentaram a sua demissão do cargo de administradores, pelo que o Conselho de Administração (CA) será reduzido para nove membros.

O banco sublinhou que o seu CA vai assumir a dimensão que apresentava antes das fusões efectuadas com os Bancos Português do Atlântico, Mello e Sotto Mayor, considerando que o novo número de administradores é «o adequado».

O BPI considera que esta alteração «é muito negativa para o BCP, uma vez que aponta para a existência de uma grande convulsão interna, que muito provavelmente terá um impacto negativo no valor da acção».

Segundo um operador, o grupo financeiro liderado por Jardim Gonçalves «continua a ser penalizado, pela instabilidade criada com a saída de elementos do CA e a revisão em baixa dos lucros por acção para o exercício de 2001», adiantando que esta «instabilidade deverá continuar até à divulgação dos resultados anuais, que deverá ocorrer a 22 de Janeiro».

Analistas baixam previsões para lucros anuais

O BCP anunciou também ontem que o resultado líquido por acção (EPS) do banco em 2001 vai ser inferior ao registado em 2000, devido a uma reclassificação contabilística dos encargos estimados com o encerramento de sucursais e redução de pessoal.

Para o fecho de sucursais o BCP previa gastar 115 milhões de euros em 2001, tendo os custos efectivos, que serão contabilizados como custos extraordinários, ascendido a 66 milhões de euros.

Face a esta alteração, o BPI reviu em baixa as suas previsões para os lucros anuais do BCP, dos anteriores 679 milhões de euros para os 585 milhões de euros, considerando, no entanto, que esta diminuição «é menos preocupante que as sucessivas demissões ao nível da administração».

O BPI acredita que «a acção (do BCP) deverá manter-se pressionada pelo menos enquanto o actual quadro não for mais claro», pelo que recomenda aos investidores «que diminuam a sua exposição no muito curto prazo», estando actualmente a rever a sua recomendação para o BCP.

Já o Santander Central Hispano cortou as suas previsões de lucros líquidos do BCP em 18% para os 556,4 milhões de euros em 2001.

Goldman Sachs mantém recomendação de «market performer»

A Goldman Sachs, por seu turno, avançou hoje com uma previsão de lucros por acção de 0,31 euros para o conjunto de 2001, face aos resultados líquidos de 0,32 euros por acção obtidos no ano anterior pelo banco liderado por Jardim Gonçalves.

Aquela corretora manteve a sua recomendação de «market performer» para os títulos do BCP, sublinhando que «o BCP continua a ser um excelente banco de retalho, com uma óptima equipa de gestão», apesar das alterações conhecidas ontem.

No entanto, a Goldman Sachs sublinhou que as acções do BCP estão actualmente próximas do seu «preço justo», e que «continuamos a olhar de forma cautelosa para a evolução do produto interno bruto (PIB) e do crescimento do crédito em Portugal.

As acções do BCP seguiam a perder 3,45% para os 4,20 euros.

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