Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Analistas: Austeridade e taxas de terminação penalizam receitas da PT

Os resultados da Portugal Telecom deverão reflectir a continuação da tendência de deterioração das receitas da operadora. Os analistas antecipam um reforço da quota de mercado em vários negócios em Portugal, contribuindo para "resiliência" nos resultados.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 27 de Julho de 2012 às 07:00
  • Assine já 1€/1 mês
  • 7
  • ...
O resultado líquido da Portugal Telecom deverá ter sofrido uma queda homóloga de 25,9% no segundo trimestre do ano, segundo a média das estimativas de nova bancos de investimento.
A deterioração dos lucros reflecte a quebra das receitas sofrida pela Portugal Telecom. Os analistas até consideram “resiliente” o comportamento que prevêem para as receitas da PT, no entanto esta será penalizada por pressão nas receitas tanto pelas medidas de austeridade como pela redução das taxas móveis de terminação.

Estas taxas são tarifas que as operadoras pagam entre si para terminarem as chamadas dos seus clientes nas redes concorrentes. Como a Portugal Telecom é a operadora com maior quota de mercado é também a mais penalizada, em termos homólogos, pela decisão do regulador.

As receitas deverão cair 8,6% para 1,643 mil milhões de euros e o EBITDA irá saldar-se em 559 milhões de euros, 12,9% abaixo, segundo os analistas.

Analistas descem avaliações mas mantêm recomendações inalteradas

Alguns bancos de investimento aproveitaram a previsão dos resultados da Portugal Telecom para rever em baixa o preço-alvo da operadora. Foi o caso do Exane BNP Paribas, que o diminuiu em 11% para 4,00 euros por acção, ao aumentar o factor de desconto que aplica aos resultados futuros da PT.

A recomendação continua a ser de “comprar”, apesar de o banco de investimento dizer que prefere ter exposição à Telecom Itália. O Berenberg, que também recomenda “comprar”, diz que a Portugal Telecom é a sua operadora preferida no Sul da Europa.

Para este banco de investimento, a cotada Telecom Itália é melhor do que a Telefónica devido à sua posição de acesso a financiamento, mas é preterida face à PT por deter a Tim no Brasil. Um activo que considera menos desejável do que a Oi da Portugal Telecom.

O BES Investimento reiterou a sua recomendação de “comprar” depois de ter publicado a previsão dos resultados da PT e reiterou a recomendação de “comprar”, lê-se na nota de análise do banco a que o Negócios teve acesso.

JPMorgan – Segundo trimestre será de “business as usual”

Os analistas do JPMorgan concordam com os seus pares da banca de investimento no facto de que o segundo trimestre será um período difícil para a Portugal Telecom. No entanto, ressalvam, este será também um período de “business as usual”. Ou seja, as mudanças que vão acontecer no futuro da PT ainda se farão esperar.

As tendências da economia portuguesa vão pressionar as receitas e ainda é cedo para observar os resultados da reestruturação no Brasil, afirmam.

A Macquaire observa que a Portugal Telecom tomou várias medidas de “auto-ajuda” para “reduzir o risco de forma agressiva e conseguir flexibilidade de financiamento. Entre as medidas contam-se a redução da despesa operacional, redução dos dividendos e prolongamento de linhas de financiamento até 2016, referem os analistas.

O Caixa BI comenta ainda que as metas previstas para a Oi "parecem agora ainda mais difíceis de alcançar com a economia do Brasil a desacelerar". Ainda assim, o analista Guido Varatojo dos Santos antecipa "alguns sinais positivos".

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.
Ver comentários
Saber mais resultados Portugal Telecom
Outras Notícias