Media Analistas confiantes na partilha de conteúdos desportivos entre operadoras

Analistas confiantes na partilha de conteúdos desportivos entre operadoras

Os analistas acreditam que apesar das recentes batalhas entre a Meo e a Nos, as operadoras vão acabar por partilhar os conteúdos. No entanto, têm sérias dúvidas quanto à rentabilização dos recentes investimentos.
Analistas confiantes na partilha de conteúdos desportivos entre operadoras
Pedro Elias
Sara Ribeiro 17 de fevereiro de 2016 às 16:40

A guerra das operadoras pelos conteúdos desportivos entrou num novo campo de batalha com a providência cautelar contra a Meo interposta pela Nos no seguimento da suspensão do Porto Canal. Segundo os analistas, este aumento da tensão entre as duas empresas tem levado a uma maior cautela por parte dos investidores.

Albino Oliveira, da Patris Investimentos, explica que o mercado olha para esta guerra "com alguma cautela, tendo em conta os montantes envolvidos nos contratos assinados com os clubes para a transmissão dos jogos de futebol". No total, somando os valores envolvidos nos contratos a longo prazo, o investimento da Meo e da Nos supera os 1,5 mil milhões de euros.

Esta cautela "provavelmente reflecte o receio em como as operadoras dificilmente conseguirão justificar os montantes pagos através de um aumento das receitas", acrescenta.

Quanto à recente notícia da providência cautelar, Albino Oliveira acredita que representa apenas mais algum "ruído" relativamente a este tema. No entanto, alerta que "se a luta por conteúdos continuar entre os principais operadores, os investidores poderão continuar preocupados com uma eventual 'destruição de valor', ou seja com o pagamento de valores demasiado elevados por esses mesmos conteúdos, retirando 'cash flow' que poderia ser utilizado em outros investimentos ou mesmo no pagamento de dividendos mais elevados".

Já Eduardo Silva, gestor da XTB, explica que "a oferta de pacotes de serviços unificados mudou o foco da estratégia empresarial para o conteúdo em detrimento do canal de distribuição. Como tal, a tentação de fidelizar milhares de clientes através de conteúdo exclusivo é evidente".

Tendo em conta este panorama, o gestor defende que "a Nos está mais protegida, mas terá de rentabilizar o investimento massivo, apesar de ter garantido direitos dos dois clubes com maior massa adepta, perdeu o Porto Canal que é um canal  regional. A Meo terá mais margem para baixar preços e a preocupação dos investidores recai sobre o facto de afectar a margem financeira, se o preço passar a ser uma frente de batalha ambos ficam a perder", considera.

"Nos não vai abdicar de direitos pagos a preço de ouro por preços de saldo"

Apesar da actual disputa, que ganhou novos contornos com a acção judicial da Nos, os analistas acreditam que o cenário de partilha de conteúdos continua a ser o mais provável.

Para os analistas do BPI a recente movimentação da Nos "aumentou ainda mais a tensão entre os dois operadores em torno dos conteúdos exclusivos". Mas, "acreditamos que o cenário de partilha de conteúdos (que pode não incluir os canais de televisão) continua a ser o mais provável", segundo um research do banco de investimento.

Uma opinião partilhada por Albino Oliveira: "Este cenário de partilha de conteúdos ainda parece continuar a ser o mais provável, apesar das notícias das últimas semanas. Nesse sentido, a decisão da autoridade da concorrência (que neste momento analisa os contratos estabelecidos por Benfica, Porto e Sporting com a Nos e a Meo) e a posterior resposta das operadoras poderá ser importante", recorda.

Já Eduardo Silva acrescenta que a dificuldade em rentabilizar o investimento "quer em termos financeiros ou marketing poderia ser minimizada através de um acordo, no entanto o factor de diferenciação através de conteúdo exclusivo é tentador". No entanto, o gestor da XTB acredita que "a Nos não vai abdicar de direitos pagos a preço de ouro por preços de saldo. Num mercado competitivo, será difícil encontrar melhor conteúdo de diferenciação do que o futebol em Portugal. O extremar de posições não é positivo, um acordo seria bem visto pelo mercado, porém a estratégia das empresas parece divergir", lamenta.

Na terça-feira foi noticiado que a Nos avançou com uma providência cautelar contra a Meo e a FCP Media, holding que detém o Porto Canal, devido à suspensão do sinal do canal, no dia 11 de Fevereiro, na plataforma da Nos.




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