Empresas António Mosquito entra na Controlinveste Media e compra 67% da Soares da Costa Construção

António Mosquito entra na Controlinveste Media e compra 67% da Soares da Costa Construção

Empresário angolano assumiu hoje controlo da “verdadeira âncora” da Soares da Costa. Mosquito também entra numa parceria com Luís Montez e passa a ser accionista do Grupo Media, que agrega os órgãos de comunicação social da Controlinveste: DN, JN ou TSF. Proença de Carvalho será o presidente dessa sociedade.
António Mosquito entra na Controlinveste Media e compra 67% da Soares da Costa Construção

António Mosquito concluiu esta terça-feira, 26 de Novembro, a aquisição de uma participação de 66,7% do capital da unidade de construção da Soares da Costa. Além disso, o empresário angolano assinou a compra de 27,5% do capital dos títulos de comunicação social da Controlinveste.

 

Os investimentos, que foram alvo de notícias ao longo do último ano e que vinham sendo negociados, foram confirmados através de um comunicado de Mosquito enviado às redacções.

 

O angolano Mosquito reforça a presença em Portugal enquanto dois empresários portugueses cedem poder: Joaquim Oliveira perde o domínio sobre dois órgãos de comunicação social generalistas e Manuel Fino perde a maioria na unidade de construção da Soares da Costa.

 

O negócio da Controlinveste

 

António Mosquito passa a ser um dos dois grandes accionistas da empresa dona de publicações como o “Diário de Notícias”, o “Jornal de Notícias” e a rádio TSF. Até aqui, a Controlinveste, de Joaquim Oliveira, era dona de 100% do capital do Grupo Controlinveste Media. A composição accionista da sociedade Grupo Media muda, segundo o acordo de princípios assinado esta terça-feira, 26 de Novembro, que prevê a reestruturação deste grupo dono de órgãos de comunicação social.

 

Como partes deste acordo de princípios está, de um lado, Joaquim Oliveira e os bancos credores BCP e BES e, do outro, António Mosquito e Luís Montez.

 

Mosquito está, neste acordo, ao lado de Luís Montez, da promotora de eventos Música do Coração e um dos donos da Meo Arena. A sociedade Grupo Media será alvo de um aumento de capital através do qual Mosquito e Montez terão um total de 42,5% do capital da sociedade, 27,5% para o empresário angolano, 15% para o empresário português.

 

António Mosquito terá a mesma percentagem que o Grupo Controlinveste tem a partir deste acordo: 27,5%. O BCP e o BES terão uma posição de 15% cada um.

 

Os bancos terão uma participação porque a dívida “será parcialmente convertida em capital”. Contudo, esta é uma participação não estratégica para BCP e BES, que as pretendem alienar em breve. A dívida remanescente, cujo valor não é adiantado no comunicado, será reestruturada mas não haverá lugar a "qualquer perdão".

 

"A sociedade, financeiramente saneada, ficará assim com excelentes condições para enfrentar os desafios que se colocam na área dos media em Portugal", aponta o comunicado assinado por António Mosquito, vindo do escritório do advogado Proença de Carvalho.

 

O negócio ainda não está terminado. Foi assinado o memorando mas ainda haverá lugar a avaliações financeiras da empresa (o chamado "due dilligence"). No comunicado da Controlinveste, a administração de Joaquim Oliveira assinala que o acordo será "implementado e executado com a realização de todas as operações jurídicas inerentes e usuais neste tipo de transacções, prevendo-se em breve a sua integral finalização". "As alterações orgânicas e societárias serão oportunamente comunicadas".

 

Proença de Carvalho é presidente


A gestão da empresa cujo capital está distribuído por Montez, Mosquito, Controlinveste, BCP e BES já está definida. Será composta por sete elementos. O presidente já está escolhido: “Daniel Proença de Carvalho mereceu já o acordo de todos os accionistas para assumir a presidência da sociedade”.

 

Segundo foi noticiado pelo “Correio da Manhã” no início de Outubro, o advogado, que tem trabalhado na ligação entre negócios em Portugal e em Angola, estaria a tentar desbloquear as negociações que levariam à entrada do capital de Mosquito nos órgãos de comunicação social. Proença de Carvalho, que já foi presidente da RTP1, desmentiu na altura. Mas agora é mesmo escolhido para presidente da empresa, como já se falava.

 

Dos sete elementos da gestão da empresa, dois serão escolhidos por Montez, dois por Mosquito e outros dois por Joaquim Oliveira.

 
Três jornais diários e uma estação de rádio mudam de mãos

A Controlinveste é um dos maiores grupos de media em Portugal, controlando um diverso número de publicações, como dois jornais diários generalistas, um desportivo e uma estação de rádio de informação.

 

"O Jogo", "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias", TSF são alguns dos títulos detidos pela empresa, que conta ainda no seu portfólio com várias publicações regionais, como o "Açoriano Oriental", "Diário de Notícias da Madeira", "Jornal do Fundão", bem como as revistas "Volta ao Mundo" e "Evasões". A empresa detém ainda a SportTV que fica de fora deste negócio com António Mosquito. 

 

A empresa “nasceu” em 1984, no grupo Olivedesportos, de Joaquim Oliveira. A primeira incursão nos media aconteceu nesse ano com a compra do desportivo “O Jogo”. O passo de gigante nesta área de negócio surge só em 2005, quando Joaquim oliveira comprou a Lusomundo Serviços à Portugal Telecom.

 

Após este negócio, de valor superior a 300 milhões de euros, a Controliveste passou a deter dois diários generalistas (DN e JN) e uma das rádios mais ouvidas em Portugal (TSF).

 

A crise no sector dos media levou os bancos a pressionarem Joaquim Oliveira a vender a empresa, num negócio que conhece agora o desfecho, com a entrada de António Mosquito e Luis Montez.

O negócio da Soares da Costa

 

No caso da empresa de construções, a entrada de Mosquito já era esperada (tinha merecido a aprovação dos accionistas), faltando apenas o acordo definitivo. Hoje, ficou assinado esse entendimento que leva à tomada de uma participação de 66,7% da Construções Soares da Costa, a unidade do sector da construção da empresa.

 

No comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa anuncia a operação de capitalização da área da construção da Soares da Costa por parte da GAM, sociedade luxemburguesa que é totalmente detida por António Mosquito.

 

A operação prevê a subscrição de um aumento de capital de 70 milhões de euros da Sociedade de Construções Soares da Costa que vai levar o empresário angolano à participação social de 66,7% do capital social. Os restantes 33,3% do capital ficam na mão do grupo Soares da Costa, que ficará com os negócios imobiliários e de infra-estruturas.

 

Além da alteração accionista, também será assinada uma parceria estratégica entre o investidor e o próprio Grupo Soares da Costa (não só a área de construção).

 

“Este reforço de capitais na sociedade de construções, a par da parceria estratégica estabelecida, permitirá não só dotar a construtora com os meios financeiros necessários para prosseguir a sua actividade como também, por via da capacidade empresarial do novo accionista, reforçar a sua presença no mercado africano”, comenta Mosquito na nota enviada às redacções.

 

Subida de 14% em bolsa antes de acordo anunciado

 

O grupo de Manuel Fino, empresário que perde assim preponderância na área de construção, anunciou o acordo em comunicado à CMVM às 17h12. Contudo, antes do acordo ser público, já a sessão bolsista da Soares da Costa tinha sido animada.

 

Depois de uma sessão praticamente completa em que os títulos até estiveram a negociar em baixa, o fecho do dia foi bastante positivo. As acções da empresa começaram a disparar pelas 15h. Terminaram a sessão, às 16h30, a avançar 14,29% para negociarem nos 0,32 euros, uma cotação em que não encerrava desde Março de 2012.

 

Foram trocados 3,7 milhões de títulos da Soares da Costa quando, em média, costumam ser pouco mais de 270 mil acções transaccionadas. 

 
Sociedade de Construções Soares da Costa
A Soares da Costa é um dos grandes grupos de construção em Portugal, cotado em bolsa. O nome está amplamente ligado a Manuel Fino, dono de uma participação maioritária, em torno de 70%. Esta empresa não sofre qualquer alteração accionista com este acordo. O que se altera é a estrutura accionista da Sociedade de Construções Soares da Costa, até aqui detida pelo grupo.
 
De acordo com o site da empresa, a unidade de construções, que passa a ser detida em 67,7% por António Mosquito, "é a verdadeira âncora do Grupo e a descendente directa da empresa-mãe". Esta é a sociedade que mais contribui para o volume de negócios do grupo. O grupo Soares da Costa SGPS fica, agora, apenas com uma posição de 33,3%. 

(Notícia actualizada pela última vez às 19h41)




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