Banca & Finanças Nogueira Leite abandona Caixa Geral de Depósitos em divergência com tutela

Nogueira Leite abandona Caixa Geral de Depósitos em divergência com tutela

Ao longo dos últimos 15 meses, o economista equacionou diversas vezes renunciar o cargo, mas só agora concretizou essa intenção.
Nogueira Leite abandona Caixa Geral de Depósitos em divergência com tutela
Maria João Gago 20 de dezembro de 2012 às 00:02

O vice-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, António Nogueira Leite, decidiu renunciar à administração do banco público por divergências com o accionista Estado, designadamente sobre o que deve ser o papel da instituição financeira, apurou o Negócios. Ao longo dos últimos 15 meses, o economista equacionou diversas vezes renunciar o cargo, mas só agora concretizou essa intenção.

A notícia de demissão de Nogueira Leite, avançada pela edição electrónica do "Expresso", apanhou de surpresa a equipa de gestão da Caixa, apesar de o desgaste do vice-presidente com a tutela ser evidente para toda a equipa.

Na carta de renúncia, o economista justifica a sua decisão com o facto de, na sua perspectiva, ter concluído "a missão" que o levou a aceitar o convite para a gestão da CGD, em Julho de 2011, revelou o presidente não executivo do banco ao Negócios. Segundo Fernando Faria de Oliveira, a missiva, que lhe foi entregue a meio da tarde de quarta-feira, é curta, não referindo quaisquer outras razões para a renúncia.

A decisão de Nogueira Leite foi tomada na sequência da acumulação de uma série de episódios em que, de forma mais ou menos pública, o banqueiro entrou em choque com a posição do ministro das Finanças relativamente à actuação da Caixa. Mas também várias decisões do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, de quem chegou a ser conselheiro antes das eleições legislativas de Junho de 2011, causaram tensão entre o economista e a tutela.

Em Setembro, face à perspectiva de aumento de impostos em 2013, Nogueira Leite chegou a admitir sair do país caso se confirmasse o agravamento dos impostos. Perante o anúncio de aumento da carga fiscal, o PS veio reclamar publicamente a demissão do vice-presidente.

A clivagem entre Nogueira Leite e Vítor Gaspar já era pública desde Abril, quando a tutela decidiu que a CGD venderia a sua posição na Cimpor na OPA da Camargo antes de consultar a gestão do banco. O banqueiro defendia que a Caixa deveria ter procurado valorizar a sua posição na cimenteira, antes de se comprometer com a venda. Também os cortes salariais e de subsídios de Natal e férias impostos aos colaboradores da Caixa mereceram críticas do gestor.

Para Nuno Fernandes Thomaz, colega de administração na CGD, Nogueira Leite "vai fazer muita falta" ao banco do Estado. "É um excelente profissional e uma óptima cabeça", sublinhou em declarações ao Negócios.

Esta é a terceira baixa no conselho de administração da CGD nomeado em Julho de 2011. Pedro Cardoso saiu no final desse ano para liderar a operação de Macau. Dois meses mais tarde foi a vez de Jorge Tomé, que chegara a ser dado como presidente executivo do banco do Estado, trocar o lugar de administrador da Caixa pelo de líder executivo do Banif. Agora chegou a vez de Nogueira Leite.

De acordo com a lei, o banqueiro deve permanecer na CGD até ao fim de Janeiro. No entanto, o economista e a liderança do banco ainda não acertaram se este calendário será respeitado ou se será definida outra data.




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