Banca & Finanças APB: Banca já recebeu mais de 300 mil pedidos de moratórias

APB: Banca já recebeu mais de 300 mil pedidos de moratórias

Norberto Rosa, secretário-geral da APB, pediu, esta sexta-feira, aos partidos para repensarem o travão às comissões bancárias, num contexto de pandemia que vai penalizar a banca.
APB: Banca já recebeu mais de 300 mil pedidos de moratórias
Miguel A. Lopes/Lusa
Rita Atalaia 15 de maio de 2020 às 12:53
Os bancos nacionais já receberam mais de 300 mil pedidos de moratórias. Os dados foram revelados esta sexta-feira por Norberto Rosa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos (APB), no Parlamento, numa audição em que pediu aos partidos para reverem o travão às comissões bancárias num contexto de pandemia que vai penalizar a banca. 

O total de pedidos de moratória "corresponde a créditos superiores a 25 mil milhões de euros (mais de 10% do total do crédito concedido)", revelou o responsável da associação que representa a banca nacional na intervenção inicial, perante os deputados do grupo de trabalho das comissões bancárias. 
O Governo lançou uma moratória legal de seis meses nos créditos à habitação e empréstimos de empresas. Uma solução que foi depois complementada por uma iniciativa privada da banca, através da APB, que inclui também crédito ao consumo e segundos habitações. 

"Os bancos têm dito 'presente' nesta crise e têm demonstrado, desde o inicio, que estão absolutamente empenhados no apoio às famílias e empresas, e assim continuarão na fase que se segue, agora, de recuperação da economia", afirmou Norberto Rosa, pedindo aos deputados que repensem as propostas sobre comissões bancárias, num período marcado por uma pandemia que afetará fortemente o setor. 

APB pede revisão das propostas sobre comissões
"Tendo em consideração as consequências sociais, económicas e financeiras provocadas pela pandemia de covid-19, será fundamental que a apreciação destas iniciativas legislativas seja agora feita à luz de um enquadramento que é radicalmente distinto daquele que existia quando as mesmas foram apresentadas", salientou o secretário-geral da APB.


De acordo com o responsável, "organismos nacionais e internacionais antecipam uma das piores recessões da história, que seguramente terá impactos muito negativos (designadamente a nível de imparidades e do consumo de capital) também no setor bancário". Neste sentido, salienta, "a rentabilidade dos bancos, que já se encontra em níveis inferiores ao custo de capital, será fortemente afetada". 

O secretário-geral relembrou ainda que, a nível mundial, estão a ser adotadas medidas de flexibilização do quadro regulatório, de maneira a que a banca esteja disponível para apoiar a economia. "Seria absolutamente contraproducente tomar medidas em sentido contrário, fragilizando o setor bancário num momento em que ele é parte essencial da solução", notou.

"É nosso dever colocar à consideração dos senhores deputados a pertinência e a oportunidade do avanço destes projetos de lei, que se traduzirá numa pressão adicional sobre a rentabilidade dos bancos, podendo, no limite, comprometer a estabilidade financeira", rematou.

Foi no final de fevereiro que o Parlamento aprovou projetos-lei que limitam as comissões bancárias, aprovando na generalidade a proposta do PS que limita as comissões em plataformas eletrónicas, como é o caso do MBWay, impedindo a cobrança de comissões em transferências naquelas plataformas até 100 euros ou 500 euros durante o período de um mês ou 50 transferências num mês.


Também Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal, foi chamado esta sexta-feira a pronunciar-se sobre esta questão, perante os deputados do grupo de trabalho das comissões bancárias. 

(Notícia atualizada.)



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