Empresas Assunção Cristas diz que sector da água é “insustentável do ponto de vista económico”

Assunção Cristas diz que sector da água é “insustentável do ponto de vista económico”

Ministra do Ambiente sublinhou o endividamento de 3 mil milhões de euros do sector, prometendo que o Governo tentará “consertar” o legado do Partido Socialista. “Nós racionalizamos o que vocês desbarataram”, comentou Assunção Cristas no Parlamento.
Assunção Cristas diz que sector da água é “insustentável do ponto de vista económico”
Miguel Prado 25 de janeiro de 2013 às 12:29

A ministra do Ambiente, Assunção Cristas, reafirmou esta sexta-feira no Parlamento a necessidade de reestruturar o sector de água e saneamento, sublinhando que “temos um sistema insustentável do ponto de vista económico e financeiro”.

 

A governante, que foi à Assembleia da República para debater a proposta de lei que viabiliza o controlo de concessões de água e resíduos por operadores privados, notou que o sistema do grupo Águas de Portugal agrega 42 empresas, tendo acumulado uma dívida de 3 mil milhões de euros, que é, segundo Assunção Cristas, “três vezes mais que a das congéneres europeias”.

 

“O legado do Partido Socialista (PS) é o que estamos a tentar consertar. Nós racionalizamos o que vocês desbarataram”, afirmou a ministra do Ambiente, enfatizando que a reestruturação em curso no sector das águas deverá permitir poupanças de 180 milhões de euros. “Facilitismo é fazer obras e gerar dívida”, comentou ainda Assunção Cristas, em jeito de crítica ao trabalho do PS no sector da água.

 

A ministra referiu no debate parlamentar que “se não se caminhar para a verticalização o que teremos são aumentos [do preço] da água insustentáveis para a população”. A governante notou que a legislação assegura a acessibilidade à água. “Com os instrumentos que temos, estaremos em condições de defender o direito fundamental das pessoas ao recurso fundamental que é a água”, afirmou Assunção Cristas.

 

PS e Verdes contra proposta de referendo do Bloco de Esquerda 

 

O Bloco de Esquerda propôs que a privatização do sector da água e dos resíduos seja sujeita a um referendo popular, mas não foi bem sucedido. Além dos partidos do Governo, também o PS e o Partido Ecologista Os Verdes se opõem à iniciativa do Bloco.

 

“Água, um serviço essencial: é preciso perguntar aos portugueses. É a única forma de travar o apetite voraz desta privatização”, afirmou no Parlamento Luís Fazenda, deputado do Bloco de Esquerda.

 

O PS, através de Pedro Farmhouse, mostrou-se contra o referendo, por não desejar sequer o cenário de privatização no sector. Pelos Verdes, Heloísa Apolónia, deixou a mesma ideia: “A água é um direito inalienável, fundamental, e não é referendável”.

 

No debate parlamentar, o deputado social-democrata Mário Magalhães realçou que a reestruturação do sector e a concessão a privados não põem em causa o controlo do sector pelo Estado. “A água é um bem público e a posse dos sistemas sempre será pública”, notou, acrescentando que “os privados estão no sector da água e resíduos há muitos anos”.

 

O deputado socialista Pedro Farmhouse apontou ainda, no mesmo debate, que “a reestruturação do sector da água, saneamento e resíduos caracteriza-se por uma total opacidade”, lamentando que a proposta de abertura aos privados do controlo das concessões no sector tenha sido debatida antes da reformulação das competências da entidade reguladora, a ERSAR.




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