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Até Março, tudo estava bem com a Tranquilidade. Depois vieram os investimentos no GES

Foram investidos 150 milhões de euros, por parte da seguradora, em financiamento a sociedades do Grupo Espírito Santo. Operações que "comprometeram" a Tranquilidade, revelou o presidente do ISP.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Novembro de 2014 às 10:25
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Até ao final de Março de 2014, "nada havia a assinalar de relevante" no que diz respeito à Tranquilidade, à data uma seguradora do Grupo Espírito Santo. O relatório de contas do primeiro semestre mostrava uma boa situação financeira. Contudo, nos meses seguintes, foram realizadas operações que "comprometeram" a companhia.

 

A 6 de Junho, o Instituto de Seguros de Portugal, o regulador da área seguradora, teve conhecimento da "existência de operações de financiamento à ESFG e sub-"holdings" no total de 150 milhões de euros, efectuadas em Abril e Maio". "Atendendo aos valores envolvidos eram susceptíveis de comprometerem as garantias financeiras da Tranquilidade e da T-Vida", declarou José Almaça, o presidente do ISP, que se encontra na comissão parlamentar de inquérito ao BES.

 

No dia 18 do mesmo mês, numa nova reunião com a comissão executiva da Tranquilidade, liderada por Pedro Brito e Cunha, o ISP soube que 85 dos 150 milhões foram colocados em papel comercial da Esfil (que pertence à ESFG), 50 milhões de euros em papel comercial do Espírito Santo Financial Group e 15 milhões de financiamento de tesouraria à Espírito Santo Financial (Portugal), de acordo com o presidente do regulador. Também foi adquirido 10% do capital da gestora de fundos do GES, a ESAF.

 

Os valores envolvidos, acrescentou José Almaça, "comprometeram" as provisões assumidas pela Tranquilidade e pela T-Vida. "Os valores envolvidos nas operações de financiamento comprometeram seriamente a situação de representação das provisões técnicas - património especial que garante os créditos emergentes dos contratos de seguro - da Tranquilidade e da T-Vida", justificou.

 

Os investimentos no GES acabaram por obrigar a que a empresa fosse capitalizada, uma responsabilidade que ficou, segundo o plano definido pela gestão, nas mãos do comprador. A Apollo fez a única oferta vinculativa para adquirir a Tranquilidade, pagando um total de 215 milhões de euros, sendo que perto de 150 milhões serviam apenas para essa capitalização.

 

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