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Banca desvaloriza alertas de Governo e governador

“Não vejo grande problema.” A frase é de Miguel Maya, mas podia ser de vários banqueiros, que não vêem uma bolha no imobiliário. Mas Carlos Costa falou em risco de euforia no crédito. E o Governo também quer mais atenção.

David Cabral Santos
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Foi um dia de avisos e alertas na banca. O governador do Banco de Portugal falou nos riscos de euforia no imobiliário. O secretário de Estado das Finanças mostrou-se apreensivo com o crédito ao consumo e até recomendou ao regulador avaliar a medida que implementou há quase dois meses para travar o crédito. Contudo, do lado da banca, uma resposta: não há motivos para preocupações.

Numa conferência sobre os dez anos da crise financeira, organizada pelo Banco de Portugal, Carlos Costa frisou que, ainda que sendo necessário apostar na literacia financeira, há um risco sistémico que escapa a cada pessoa e a cada banco. "Esta constatação é particularmente relevante quando se desenvolvem situações de euforia no mercado, nomeadamente no mercado residencial e hipotecário", acrescentou.

Uma menor capacidade de interpretação desta intervenção [das autoridades prudenciais] gera um maior risco de bolha de mercado [residencial e hipotecário].  Carlos Costa
Governador do Banco de Portugal


Daí que "sejam necessárias medidas que ataquem os desenvolvimentos sistémicos negativos resultantes da interacção das decisões individuais". "Uma menor capacidade de interpretação desta intervenção [das autoridades prudenciais] gera um maior risco de bolha de mercado e, por consequência, determina a necessidade de medidas prudenciais mais interventivas do lado da concessão de crédito, ou do lado da aplicação da poupança, para garantir a estabilidade financeira", continuou o governador do Banco de Portugal, que implementou, no início de Julho, limites nas regras de concessão de crédito à habitação e ao consumo.

O aviso simultâneo
Sensivelmente ao mesmo tempo, Ricardo Mourinho Félix, na conferência "Banca do Futuro", promovida pelo Negócios, lançava outro alerta. E respondia à medida macroprudencial do Banco de Portugal. "É fundamental continuar a acompanhar a evolução dos indicadores do crédito e avaliar a eficácia das medidas adoptadas", disse o secretário de Estado Adjunto e das Finanças.

"É fundamental a vigilância da evolução do crédito na nossa economia", continuou o governante. E há uma preocupação específica, na óptica de Mourinho Félix: "O crédito a particulares, em especial o crédito ao consumo, deve ser seguido com muita atenção para evitar que seja impulsionado de forma imprudente, como aconteceu no passado".

A despreocupação
Preocupações que a banca desvaloriza. Miguel Maya, líder executivo do BCP, ressalva que, na concessão de crédito, "os modelos não têm nada a ver com os do passado". "Isso dá-nos confiança sobre o crédito que estamos a conceder", ressalvou.

Especificamente em relação ao imobiliário, para António Ramalho, são "perfeitamente geríveis" as subidas nos preços do imobiliário. "Portugal até agora não teve bolha no imobiliário, ao contrário dos amigos espanhóis", disse o líder do Novo Banco, logo com a concordância do espanhol Pablo Forero, que acrescentou que se tem de evitar excessos, mas que se está a fazer um "trabalho sério".

Ramalho lembrou que Portugal viveu muitos anos com desinvestimento no imobiliário. "Deixámos de construir e de licenciar." Miguel Maya falou mesmo da experiência do BCP, que ficou, devido à intervenção estatal de 2013, impedido de investir na promoção imobiliária. Agora, há uma inversão, e o banco já está no segmento. Mas não é por isso que há receios de que haja uma bolha. "Também não vejo grande problema", declarou.

 Maya admite que as duas principais cidades do país entraram num patamar de que não vão descer. "Lisboa e Porto estão no mercado internacional, não é para investidores exclusivamente portugueses." É um mercado mais quente e assim deverá continuar.  Mesmo na periferia, diz o banqueiro, "pode haver um ajustamento, mas será marginal".

Paulo Macedo, presidente da CGD, alinha na mesma ideia: há vários mercados imobiliários em Portugal. O residencial de Lisboa e Porto, quente, e o industrial, "que mantém preços muito baixos". Há ainda espaço para crescer.

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