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Banca portuguesa angaria 10 mil milhões no mercado de dívida internacional

O Banco Espírito Santo (BES) completou ontem uma colocação de obrigações no mercado de dívida internacional, elevando para 9,9 mil milhões de euros o valor já angariado pelos bancos portugueses desde a falência do Lehman Brothers, em Setembro passado.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 29 de Maio de 2009 às 00:01
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O Banco Espírito Santo (BES) completou ontem uma colocação de obrigações no mercado de dívida internacional, elevando para 9,9 mil milhões de euros o valor já angariado pelos bancos portugueses desde a falência do Lehman Brothers, em Setembro passado.

Um sinal de que este mercado, fechado durante vários meses devido à forte aversão ao risco dos investidores, está a dar sinais mais consistentes de normalização.

Uma ideia também comprovada pela dimensão da emissão ontem realizada pelo banco liderado por Ricardo Salgado, a primeira realizada este ano sem recurso a garantia do Estado. O BES colocou 1,75 mil milhões de euros, na maior emissão realizada até hoje por um banco privado em Portugal. Tal como as últimas realizadas pela Caixa Geral de Depósitos e Banco Comercial Português, a emissão do BES foi concretizada sem recurso ao aval do Estado. Desde Fevereiro, os três maiores bancos privados já colocaram cinco mil milhões de euros de dívida obrigacionista no mercado. Um valor que já supera a dívida emitida com a garantia do Estado, que totaliza 4,9 mil milhões de euros.

Apesar destes sinais de melhoria no acesso da banca ao mercado de dívida internacional, os custos do financiamento são agora bem mais elevados, face aos praticados antes da falência do Lehman Brothers. O BES pagou um "spread" de 285 pontos base na emissão com maturidade a cinco anos, o que elevou a taxa de juro total para 5,625%. Apesar do elevado, o "spread" que o BES pagou foi ligeiramente inferior ao do BCP. O banco liderado por Santos Ferreira, em Abril, tinha emitido mil milhões de euros sem garantia, com um "spread" de 295 pontos base. A CGD, que beneficia de um "rating" mais elevado devido ao facto de ser detida em 100% pelo Estado, emitiu 1,25 mil milhões em Fevereiro, com um "spread" 225 pontos base.

O BES tinha já colocado uma emissão de dívida garantida pelo Estado, no montante de 1,5 mil milhões de euros. Com a operação de ontem, o BES eleva para 3,25 mil milhões de euros o valor de financiamento obtido no mercado, o que supera já a dívida de médio e longo prazo a reembolsar em 2009. Montante a que acresce o encaixe de 1,2 mil milhões de euros obtido com o aumento de capital. "O sucesso da operação ficou demonstrado pela composição do livro de ordens, que atingiu um volume de 2,8 mil milhões de euros, com a participação de 195 investidores", referiu o BES em comunicado.

Apenas 13% da emissão foi colocada junto de investidores portugueses, destacando-se a França (21%), Itália (16%) e Espanha (14%) entre os investidores estrangeiros. Metade da emissão foi colocada junto de sociedades gestoras de fundos, 24% em fundos de pensões e 23% em bancos.

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