Banca & Finanças Banco de Portugal: "A situação de solvabilidade do BES é sólida"

Banco de Portugal: "A situação de solvabilidade do BES é sólida"

A situação do BES é "sólida", diz o Banco de Portugal. Apesar dos problemas do Grupo Espírito Santo, o seu principal accionista, o regulador defende ter determinado medidas que isolaram o banco.
Banco de Portugal: "A situação de solvabilidade do BES é sólida"
Reuters
Diogo Cavaleiro 03 de julho de 2014 às 10:40

Depois do silêncio dos últimos dias, o Banco de Portugal decidiu responder aos jornalistas e enviar respostas às redacções para garantir que o Banco Espírito Santo é um banco "sólido", apesar dos problemas que afectam as sociedades da área não financeira do Grupo Espírito Santo, o principal accionista do banco.

 

"A situação de solvabilidade do BES é sólida, tendo sido significativamente reforçada com o recente aumento de capital", aponta o esclarecimento do regulador liderado por Carlos Costa em resposta a perguntas enviadas por vários órgãos de comunicação social.

 

O Banco de Portugal assegura que os riscos do ramo não financeiro do grupo não deverão afectar o banco ainda liderado por Ricardo Salgado porque este já foi isolado. "O Banco de Portugal tem vindo a adoptar um conjunto de acções de supervisão, traduzidas em determinações específicas dirigidas à ESFG e ao BES, para evitar riscos de contágio ao banco resultantes do ramo não-financeiro do GES".  

 

BES está isolado

 

O regulador do sector financeiro quis deixar claro que "tem a responsabilidade de supervisionar apenas parte do ramo financeiro do GES: a Espírito Santo Financial Group (EFSG) que, até ao último aumento de capital concluído no passado dia 16 de Junho, detinha a maioria do capital do Banco Espírito Santo (BES)". "Na medida em que o BES constitui a instituição de crédito do grupo ESFG com um total de balanço mais elevado, cabe ao Banco de Portugal a competência pela supervisão em base consolidada da ESFG".

 

Ou seja, BES e ESFG são as sociedades com que o Banco de Portugal se preocupa e foi sobre elas que desenhou um plano para que ficassem isolados de problemas da parte não financeira, como as "irregularidades" detectadas na contabilidade da Espírito Santo International, uma das sociedades de topo do GES.

O Banco de Portugal tem vindo a adoptar um conjunto de acções de supervisão, traduzidas em determinações específicas dirigidas à ESFG e ao BES, para evitar riscos de contágio ao banco resultantes do ramo não-financeiro do GES". 

Banco de Portugal

 

Uma das questões que o supervisor decidiu foi, precisamente, o controlo das operações realizadas entre a instituição financeira e as entidades do ramo não financeiro do grupo. "O cumprimento desses limites e os impactos das operações na situação patrimonial e prudencial das instituições de crédito ou do grupo bancário são objecto de acompanhamento pelo Banco de Portugal", indicam as respostas do regulador enviadas às redacções. O Banco de Portugal quis separar, totalmente, a área financeira da área não financeira, limitando até as operações entre ambas.

 

"Essas operações são igualmente avaliadas do ponto de vista do risco de crédito e do risco reputacional. O Banco de Portugal, no âmbito das suas competências de supervisão prudencial, pode adoptar acções ou determinações específicas para acautelar esses riscos", garante o esclarecimento enviado pela instituição sob o comando de Carlos Costa.

 

A defesa pública do BES

 

Esta quarta-feira, 2 de Julho, o Negócios escreveu que o BES tem bóias para se salvar do abalo do grupo Espírito Santo. E, no campo da supervisão, a lei dá poderes para o Banco de Portugal intervir.

 

O regulador pode, por exemplo, fazer a defesa pública do banco. As medidas de isolamento do BES têm sido implementadas de forma discreta. Mas o regulador, caso perceba que a protecção não está a ser suficiente, pode pronunciar-se publicamente sobre a defesa da solidez do banco. Algo parecido com isso foi feito esta quinta-feira: "A situação de solvabilidade do BES é sólida", defendeu o regulador nas respostas aos jornalistas.

 

O Banco de Portugal pode, ainda, facilitar o acesso a liquidez ao BES, caso este se encontre numa situação de pressão. Além disso, resta o dinheiro da troika (12 mil milhões de euros que foram disponibilizados para a banca e que apenas sensivelmente metade foi utilizado), a que o banco poderá recorrer se estiver sob condição de emergência.

 

O esclarecimento do Banco de Portugal chega depois de vários dias em que, no mercado regulamentado, o banco foi castigado pela difícil situação vivida por várias sociedades do grupo que, através do Espírito Santo Financial Group, detêm 25,1% do seu capital social. As acções da instituição financeira afundaram, as taxas de juro associadas à dívida subiram, os seguros que servem de protecção face a um incumprimento também. 

 
Nada é dito sobre sucessão

Sobre o processo de sucessão, nada é dito nas respostas do supervisor do sector financeiro. Sabe-se que foi o regulador que pressionou o grupo a afastar-se da gestão quotidiana do banco, o que conduziu à saída de Ricardo Salgado da presidência executiva. A família Espírito Santo apresentou, inicialmente, uma lista em que Amílcar Morais Pires era indicado para CEO. Contudo, o nome não reuniu consenso na família (José Maria Ricciardi não o apoia) e não se enquadra totalmente no perfil definido pelo Banco de Portugal.

 

O novo líder, como escreve esta quinta-feira o Negócios, tem de vir de fora. O administrador financeiro, cargo actualmente ocupado por Morais Pires, também.

 

A assembleia geral de accionistas para a escolha da nova gestão está marcada para 31 de Julho. Só depois o regulador se pronunciará sobre os nomes escolhidos.

(Notícia actualizada às 11h15)




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