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Banco de Portugal esteve quase a identificar "off-shores" do BPN em 2007

O Banco de Portugal exigiu em 2007 acesso às plataformas informáticas do grupo SLN, pelo que "esteve em vias de conseguir identificar a estrutura de off-shores", revelou hoje João Carvalho das Neves, administrador da SLN.

Negócios com Lusa 18 de Fevereiro de 2009 às 09:36
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O Banco de Portugal exigiu em 2007 acesso às plataformas informáticas do grupo SLN, pelo que "esteve em vias de conseguir identificar a estrutura de off-shores", revelou hoje João Carvalho das Neves, administrador da SLN.

"Em Setembro de 2007 o Banco de Portugal quer ter acesso a todas as plataformas [informáticas] do grupo SLN, que foi o que eu fiz em Julho de 2008, em três dias", contou João Carvalho das Neves.

"Se o Banco de Portugal tivesse mais cedo exigido esse acesso poderia ter apurado o que a nossa equipa apurou" no âmbito da Operação César: a existência de pelo menos 90 "off-shores" ligadas ao grupo Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que detinha BPN até à nacionalização em Novembro de 2008.

Sobre as reuniões da equipa de Miguel Cadilhe com o Banco de Portugal, João Carvalho das Neves relatou um encontro de 26 de Julho do ano passado aos deputados da Comissão Parlamentar de inquérito sobre o BPN e a supervisão.

Nesse encontro, afirmou, o supervisor referiu "a situação do Banco Insular como ´muito preocupante` e sugeriu que [a SLN] integrasse a actividade do Banco insular nas contas do BPN".

Na mesma reunião - em que estava presente o Governador Vítor Constâncio e vice-governador Pedro Duarte Neves - foi referida igualmente "como situação muito preocupante o rácio de solvência" do BPN, tendo também os administradores da SLN sido informados da existência de quatro processos de contra-ordenação levantados pelo Banco de Portugal.

Sobre os contactos anteriores com a supervisão, João Carvalho das Neves indicou aos deputados que quando chegou ao BPN havia 39 respostas por dar ao Banco de Portugal e 21 cartas por enviar ao supervisor.

O mesmo responsável considerou ainda que o projecto da equipa de Cadilhe para evitar a nacionalização do BPN "era viável" e "merecia análise mais cuidada por parte do Ministério das Finanças".

"A decisão [de nacionalizar] não está devidamente justificada. Se [o ministério] não tem pareceres independentes, foi a opinião do ministro contra a opinião de Miguel Cadilhe e da sua equipa", sublinhou.

O responsável disse ainda aos deputados que entende ter sido a administração de Miguel Cadilhe à frente da SLN a ordenar a auditoria externa pedida em Julho de 2008, e não o Banco de Portugal.

"A 23 de Julho tivemos uma reunião com o Banco de Portugal em que dizemos ter pedido uma auditoria externa [...] A 24 de Julho recebemos uma carta em que o Banco de Portugal diz que o seu Conselho tinha decidido a 22 de Julho ordenar uma auditoria", disse.

"Estivemos lá a 23 de Julho e nunca nessa reunião nos disseram ´olhe, decidimos ontem ordenar uma auditoria`", afirmou João Carvalho das Neves.

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