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Bancos europeus têm necessidades de capital de 767 mil milhões

Os bancos europeus apresentam necessidades de capital na ordem dos 767 mil milhões de euros, antes dos exercícios do Banco Central Europeu (BCE), segundo um estudo conduzido por um investigador alemão e um académico norte-americano.

Lusa 19 de Janeiro de 2014 às 17:58

Os bancos franceses têm o maior buraco (285 mil milhões de euros), seguidos pelos bancos alemães (199 mil milhões de euros), revelam as conclusões do estudo de Sascha Steffen, da Escola Europeia de Gestão e Tecnologia, em Berlim, e de Viral Acharya, da Universidade de Nova Iorque, segundo a agência de informação financeira Bloomberg.

 

"Uma análise exaustiva sobre a qualidade dos activos da banca europeia deverá revelar uma falta de capital substancial em muitos países periféricos e do centro da Europa", escrevem os autores, que analisaram 109 dos 124 bancos da Zona Euro que vão ser analisados nos exames do BCE, antes de a entidade liderada por Mario Draghi assumir a sua supervisão.

 

Os autores apontam para um risco especialmente elevado nos bancos alemães detidos pelo Estado (Landesbanken). "A Alemanha tem muitas instituições financeiras estatais que vão necessitar de injecções de capital", advertem.

 

Já os bancos espanhóis têm insuficiências calculadas em 92 mil milhões de euros, enquanto os bancos italianos precisam de cerca de 45 mil milhões de euros para fazer face aos rácios de capital que as novas regras para a banca europeia exigem.

 

Além de anteciparem a necessidade de serem feitos aumentos de capital significativos e a transformação de dívida em capital (em prejuízo dos credores), os autores dizem que, nalguns casos, será inevitável o recurso a ajudas estatais para fazer face à falta de capital das instituições financeiras analisadas.

 

A notícia da Bloomberg salienta ainda a posição frágil dos bancos na Bélgica, em Chipre e na Grécia, sem fazer qualquer referência aos quatro bancos portugueses que estão envolvidos neste exercício do BCE, nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Comercial Português (BCP), o Banco BPI e o Grupo Espírito Santo (que controla o BES).

 

Contudo, quer os banqueiros portugueses, quer o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, já vieram a público várias vezes garantir que as instituições estão bem capitalizadas e que não deverão necessitar de novas ajudas estatais, uma vez que, desde que se iniciou o programa de assistência internacional a Portugal, já se recapitalizaram significativamente, ao contrário da maioria dos seus congéneres europeus.

 

Durante este ano, o BCE e a Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla inglesa) vão conduzir testes de 'stress' às 124 instituições em causa, bem como uma avaliação das suas carteiras de dívida pública.

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