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Bancos salvos da falência pagam 37% mais aos seus CEO

Os presidentes executivos de 20 bancos que receberam ajuda do governo dos Estados Unidos, receberam compensações cerca de 37% mais altas do que a média dos líderes das empresas do S&P500 e poderão ganhar mais se o valor das acções subir, segundo um estudo sobre o assunto, citado pela Bloomberg.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 02 de Setembro de 2009 às 10:24
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Os presidentes executivos de 20 bancos que receberam ajuda do governo dos Estados Unidos, receberam compensações cerca de 37% mais altas do que a média dos líderes das empresas do S&P500 e poderão ganhar mais se o valor das acções subir, segundo um estudo sobre o assunto, citado pela Bloomberg.

Bancos como o Bank of America e o Wells Fargo pagaram uma média de 13,8 milhões de euros, no ano passado. Um valor que compara com 10,1 milhões de euros, em média, para os líderes do S&P 500, de acordo com um estudo divulgado hoje pelo Institute of Policy Studies.

A remuneração média de um CEO é de 430 vezes a remuneração de um trabalhador médio e em 9 dos 20 bancos analisados o valor das “stock options” subiu em 90 milhões de dólares num ano, referiu o instituto, sedeado em Washington.

“Os planos de compensação para os executivos de topo permanecem em níveis completamente desligados de qualquer valor real que os executivos possam oferecer”, diz o relatório. “Compensações ultrajantes aos executivos dão incentivos aos mesmos para que se comportem de forma ultrajante”, acrescentam os autores do estudo.

As compensações em empresas financeiras dos Estados Unidos estão a ser escrutinadas, depois de o Congresso ter adoptado um plano de resgate, através do qual injectou 300 mil milhões de dólares em 20 bancos com problemas.

A administração Obama nomeou Kenneth Feinberg para controlar as remunerações em sete companhias, como o Citigroup e a General Motors, que receberam ajudas do governo norte-americano mais do que uma vez.

Ainda assim, as remunerações dos executivos de topo dos bancos que receberam ajuda continuam “expostas a recuperações espectacularmente rápidas”, com a subida acentuada das acções de 9 dos 20 bancos que receberam ajuda do Estado a levar a que o valor das opções distribuídas pelos executivos tenham aumentado em 90 milhões de dólares.

O JPMorgan liderou, com um ganho de 20,6 milhões de dólares, em opções distribuídas a cinco executivos de topo. Seguem-se a American Express e a PNC Financial Services, cujas opções valorizaram 17,9 milhões de euros, cada uma.

Os cincos executivos de topo nos 20 bancos que obtiveram ajuda do governo receberam pagamentos, em três anos, que totalizaram 3,2 mil milhões de dólares, demonstra o estudo citado pela Bloomberg. Em 2006 e 2007 os bancos distribuíram 1,2 mil milhões de dólares em remunerações a estes executivos, em cada ano, e em 2008 distribuíram um total de 800 milhões de euros.

O instituto diz, ainda, que os esforços para controlar o pagamento de elevadas compensações se focam em empresas que receberam ajudas no âmbito do programa Troubled Asset Relief e acrescentou que os resultados podem ser mais modestos, à medida que empresas como a Goldman Sachs e a JPMorgan devolvam o dinheiro das ajudas para evitar limites às remunerações.

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