Banca & Finanças Banif reduz prejuízos para 97,7 milhões apesar de mais custos com rescisões

Banif reduz prejuízos para 97,7 milhões apesar de mais custos com rescisões

O Banif apresentou um prejuízo de 97,7 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. É menor que o registado no ano anterior. O negócio bancário melhorou mas a dívida pública portuguesa também deu uma ajuda.
Banif reduz prejuízos para 97,7 milhões apesar de mais custos com rescisões
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 31 de julho de 2014 às 22:19

O Banif apresentou um prejuízo de 97,7 milhões de euros entre Janeiro e Junho de 2014. A base dos resultados do banco, designada de produto bancário, ganhou terreno e os custos desceram, ainda que muito ligeiramente. A venda de dívida pública portuguesa ajudou as contas.

 

O prejuízo de 97,7 milhões de euros, divulgado no comunicado emitido através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), compara com um resultado líquido negativo de 196 milhões de euros no mesmo período de 2013.

 

De acordo com o documento, este movimento de melhoria do resultado do Banif foi "consequência da melhoria do produto bancário e da evolução menos favorável das unidades operacionais descontinuadas".

 

O produto bancário do banco liderado por Jorge Tomé (que envolve a margem financeira, as comissões e o resultado de operações financeiras) disparou 69% para se situar nos 216,1 milhões de euros no primeiro semestre. Para este indicador contribuiu, em grande medida, a margem financeira, que corresponde à diferença entre os juros recebidos nos créditos e pagos nos depósitos.

 

Margem financeira e dívida portuguesa ajudam redução de prejuízos

 

A margem financeira somou 29,1% para 66,1 milhões de euros. Segundo o comunicado, esta melhoria aconteceu pela nova estratégia do Banif "direccionada para a oferta de produtos de maior valor para o segmento empresarial e focada numa política de redução de custos de financiamento através de uma maior selectividade na captação de recursos dos clientes". Um movimento positivo apesar dos custos enfrentados pela ajuda injectada pelo Estado português - os chamados "CoCos" - no início de 2013 e pelos quais o banco tem de pagar juros elevados.

 

Para o produto bancário também contribuiu o facto de os resultados em operações financeiras terem mais do que duplicado, para 81,7 milhões de euros. Um número que está "fundamentalmente relacionado com mais-valias obtidas na alienação de títulos de rendimento fixo de dívida pública portuguesa". Essas mais-valias fixaram-se em 90,7 milhões de euros no primeiro semestre de 2014.

 

Custos sobem com despedimentos

 

Apesar da política de redução de custos, esta rubrica apresentou apenas uma muito ligeira descida nos seis primeiros meses do ano. Os custos globais da estrutura do Banif totalizaram 114,7 milhões de euros, uma quebra de 0,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

Neste campo, houve um factor que impediu uma maior descida: os custos relacionados com o programa de rescisões por mútuo acordo, que se iniciou em Março, e que ascenderam a 9 milhões de euros. Sem este efeito, os custos de estrutura tinham resvalado 7,7%, ressalva a instituição financeira.

 

Banif com mais provisões devido a GES

 

As contas do banco fundado por Horácio Roque foram penalizadas pela ordem do Banco de Portugal para que as instituições reconhecessem metade da exposição a entidades do Grupo Espírito Santo.

 

As provisões e imparidades líquidas (dinheiro colocado de lado para eventuais perdas futuras, por exemplo, com créditos) somaram 3,4% para 146,2 milhões de euros. "Este montante inclui a constituição de uma imparidade por indicação transversal do Banco de Portugal em relação à exposição a entidades do GES", indica o comunicado que, contudo, não esclarece qual a exposição global.

 

Apesar de mais imparidades, as operações descontinuadas (que não entram na vida regular do banco, normalmente porque se encontram para venda) apresentaram uma melhoria das contas, ainda que se mantenham no vermelho, ajudando à redução dos prejuízos. Essas operações são o Banif Malta e o Banco Caboverdiano de Negócios.

 

Créditos descem, depósitos sobem, solvabilidade acima da exigida

 

O crédito bruto cedido pelo banco decresceu 2,3% em termos homólogos para 8.916 milhões de euros. "A menor procura de crédito" e o facto de o banco querer libertar-se de sectores não estratégicos são as justificações apresentadas para esse movimento.

 

Já os depósitos subiram 3,3% para 6.514 milhões de euros. O rácio de transformação, que compara créditos e depósitos, caiu, assim, de 128,4%, em Junho de 2013, para 118,8%, em Junho deste ano.

 

Em termos de solvabilidade, algo que se avalia através do rácio utilizado à escala europeia, o Banif ficou acima do exigido. O rácio common equity tier 1, ainda sob a fase de transição, ficou em 10% no final de Junho. Não é apresentado este rácio common equity tier 1 "fully implemented", ou seja, o rácio que seria exigido se já todas as regras internacionais estivessem em vigor (algo que só será obrigatório em 2019).

 

(Notícia corrigida no dia 1 de Agosto para corrigir título onde dizia que prejuízos tinham sido de 99,7 milhões, quando se trata de 97,7 milhões)




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