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Banif melhora prejuízo para 69,2 milhões de euros mas imparidades aumentam

Quedas do produto bancário e da margem financeira prejudicaram os resultados do Banif no primeiro trimestre, num período em que as imparidades também subiram, mais precisamente devido às actividades no Brasil. Ainda assim, o corte nos custos permitiu que o prejuízo fosse inferior ao registado há um ano.

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O Banif obteve um prejuízo de 69,2 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, de acordo com o comunicado emitido através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

O montante divulgado na segunda-feira, 6 de Maio, representa uma melhoria de 8,9% face aos 75,9 milhões de euros alcançados no trimestre homólogo. A justificar o resultado líquido negativo esteve a “necessidade de realizar ajustamentos extraordinários nas participadas no Brasil”.

 

A evolução do negócio do Banif em Portugal melhorou, passando para 6,4 milhões de euros negativos, acima dos 49,1 milhões negativos do período homólogo. Contudo, a operação internacional registou um agravamento para 62,8 milhões de euros negativos.

 

A penalizar o resultado do banco dirigido por Jorge Tomé (na foto) esteve, sobretudo, o aumento das provisões e imparidades líquidas, que subiu 17,2% para 83 milhões de euros. Aqui, o reconhecimento de imparidades relativas ao negócio internacional subiu mais de cinco vezes para 78,7 milhões de euros – a quase totalidade para os ajustamentos nas actividades no Brasil. Quando ficou definido o plano de capitalização do Banif, em que o Estado assumiu o capital de 99,2% do banco temporariamente até Junho graças à injecção de 1,1 mil milhões de euros, o Brasil foi um dos problemas detectados devido à exposição elevada a activos imobiliários. É esse reconhecimento que está a prejudicar os resultados do primeiro trimestre.

 

A contrariar a actividade internacional, em Portugal, houve uma redução de 92% das provisões.

 

Produto bancário recua devido a margem financeira

 

O produto bancário, indicador que mostra o montante que resulta da actividade do banco, do Banif deslizou 16,1% para os 56,4 milhões de euros. Como houve uma menor actividade bancária entre Janeiro e Março, as comissões líquidas desceram 6,9%. Contudo, foi a quebra da margem financeira que mais contribuiu para este redução do produto bancário do Banif.

 

A margem financeira, que resulta da diferença entre os juros cobrados e os juros pagos, do banco cujo “chairman” é Luís Amado caiu 32,5% para 29,6 milhões de euros. Este movimento reflecte “a redução da actividade creditícia em 2012, o reduzido nível das taxas de juro de curto prazo que servem como indexante ao crédito [Euribor, que se encontram em mínimos históricos] e os custos com obrigações subordinadas de conversão contingente (CoCos) [assumidas no processo de capitalização do banco]”.

 

Assim, com uma margem financeira mais baixa, o banco obteve prejuízos mesmo apesar de ter registado uma redução dos custos de estrutura (com pessoal e gastos administrativos), que deslizaram 16,2% em termos homólogos para 60,6 milhões de euros.

 

Em relação ao capital, os resultados líquidos negativos penalizaram o rácio Core Tier 1, que mede a solidez do banco e que compara os seus activos com o risco. Este indicador situou-se em 10,5% no final de Março deste ano. “O rácio de solvabilidade total, calculado nos mesmos pressupostos, situou-se em 11,1%”, acrescenta o comunicado emitido.

 

Remédios da UE ainda por definir

 

“Por último, de referir o processo de negociação com a Direcção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia do plano de reestruturação final no âmbito do processo de recapitalização decorreu ao longo do primeiro trimestre, e cuja versão final, ainda por aprovar, conterá os elementos de reposicionamento concorrencial do Banif no sistema financeiro português”, assinala ainda a instituição sob o comando de Jorge Tomé.

 

Tal como os restantes bancos que recorreram à linha de financiamento da troika para as instituições financeiras, o Banif ainda não tem definidos pela Comissão Europeia os remédios que tem de implementar para compensar o facto de ter recebido ajuda estatal – de modo a não estar em vantagem com os restantes bancos.

 

No caso do banco fundado por Horácio Roque, esteve em cima da mesa, nessas negociações, a possibilidade de deixar o continente e centrar a sua actividade na Madeira e nos Açores, o que acabou por deixar de ser uma opção dado que se chegou à conclusão de que poderia colocar em causa a viabilidade da instituição. No entanto, não se conhecem ainda quais as opções pela frente do Banif e não foram adiantados mais pormenores no comunicado relevado na segunda-feira.

 

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